Que a presença seja o melhor presente

Por: Greice Scotton | 10/06/2017 13:58:39

Mais um Dia das Crianças vem aí e a primeira palavra que nos vem à cabeça é “presente”. Claro, é tradição por aqui: você sabia que o Brasil é o único país do mundo que tem uma data dedicada aos pequenos? Tirando o caráter comercial, sempre é válido dedicarmos um dia especial a quem amamos. Veja bem: eu disse dedicarmos, não necessariamente gastarmos. 

Esta época do ano é uma das mais lucrativas para o comércio e não é para menos. Além da fofura comum à maioria das crianças – quando eles fazem aquela carinha é tão irresistível – tem muita culpa envolvida. Você precisa trabalhar duro para dar o melhor que puder, mas isso necessariamente implica em passar pouco tempo em casa. Na correria e no cansaço, passamos por cima de momentos singelos porque estamos atrasados ou temos algo aparentemente mais importante para fazer. Não é má vontade, é falta de tempo hábil para lidar com tantos compromissos e tantas demandas. Tem dias em que parece impossível parar por alguns instantes para brincar de pega-pega, temos tantas responsabilidades! 

É justamente nesses preciosos minutos que entra o real valor de dedicar um dia do ano aos tesouros das nossas vidas. Mesmo que esse dia seja somente para pensarmos em como melhorar a qualidade do pouco tempo em que conseguimos vê-los crescer de verdade. Ou para criar estratégias a fim de abrir uma brecha na agenda ou deixar algum compromisso aparentemente importante para trás nem que seja apenas por um dia para brincar de massinha, jogar bola, andar de bicicleta ou simplesmente ver o sol se pôr. 

Para muitas crianças, a presença é o que realmente importa, muito mais do que presentes. 
Lá em casa temos conseguido equilibrar bem essa balança – pelo menos tentamos! Por lá, presente é sinônimo de brinquedo desde que o nosso afilhado, Lorenzo – hoje com 10 anos –, aprendeu a falar. “Não ôpa, dida” (“Não roupa, dinda”) era a resposta padrão sempre que perguntávamos o que ele queria ganhar. 

Na categoria “não roupa” sempre tentamos encaixar coisas úteis e que trouxessem algo de positivo para o desenvolvimento dele, desde livros compatíveis com a idade até jogos instrutivos e objetos do dia a dia, como mochila ou capacete. Claro que também teve brinquedo – alguns bem inúteis, caros e sem sentido, admito. Mas, acima de tudo, teve presença. 

Ser dinda do Lorenzo me permitiu sentir um pouco do que eu penso ser o amor que uma mãe sente por um filho. Ele pode não ter sido gerado por mim, mas o amei desde o instante em que soube que ele viria ao mundo e até hoje faço questão de demonstrar isso e participar ativamente da criação dele, mesmo que hoje morando um pouco mais longe – confesso que ainda preciso melhorar muito no quesito “responder perguntas cabeludas”, mas a mãe dele (Juliana) tem um dom natural para isso, então deixo essa missão a cargo dela [risos].
 
O Lorenzo sabe que não importa o tamanho do presente, se um simples bichinho de pelúcia ou uma bicicleta, tem muito amor envolvido por todos que o cercam, assim como nas puxadas de orelha do dia a dia, na insistência para que ele estude, tenha responsabilidade e disciplina e também naqueles poucos momentos em que conseguimos deixar tudo de lado para se esparramar no sofá e rir de qualquer coisa. E, no fundo, é só isso que importa. Porque o tempo voa: o brinquedo de hoje quebra, a fase passa, a paixão por aquele personagem diminui. Mas as lembranças dos momentos vividos são para sempre. 

Neste Dia das Crianças, lembre-se: o melhor presente que você pode dar para seu filho, seu neto, seu sobrinho, seu afilhado ou qualquer outra criança que ilumine a sua vida é a sua presença. O resto é enfeite. 

 


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Greice Scotton

Greice Scotton

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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