Em chão que o Estado pisa, nada mais cresce

Por: Felipe Sandrin | 11/03/2017 07:00:00

Passo em frente a uma obra, visão normal, um trabalha e cinco observam. Não é de hoje que é assim, mas por que segue há tanto tempo sendo assim? Ora, para criarmos a máquina pública, precisamos de engrenagens. E quem são essas engrenagens? Cada trabalhador sustentado pelo Estado. Os gigantes tentáculos desse polvo voraz são feitos de minúsculas partículas, as quais podemos chamar de “empregados pelo estado”. A lógica é: se muitas pessoas dependem do salário pago pelo Estado, logo, elas sempre devem defender a expansão dele.

Petróleo, eletricidade, água, saneamento, saúde, educação, segurança, previdência, transporte, correios, sistema penitenciário, Anatel, Banco Central e Anvisa. O que isso tudo tem em comum além da porcaria de serviços e administrações? Todos esses itens são estatais, sim, estão todos sobre o poder do Estado.

Como caímos nesse abismo execrável desenhado por governanças corruptas? Alimentando o demônio do Estado. No chão em que as administrações públicas pisam, nada cresce, mas então por que seguem a expandir-se? Porque o sistema de governança no Brasil se nutre dele próprio. Tudo aqui é a cobra engolindo o próprio rabo e quem acusa os exploradores acaba também mexendo com os explorados.

É por isso que somos um dos países com mais burocracia no mundo: a burocracia serve justamente para mantermos a porta fechada para o meio privado. Se não se alimenta o empreendedorismo, logo, as megafortunas ficam sempre concentradas entre as mesmas famílias. São esses que, por fim, ditam as regras do jogo.

Vivemos a era da falência pública. Muitos dos que alimentavam a máquina desistiram de empreender e o resultado pode ser notado hoje em lugares como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas gerais. Não há de onde tirar dinheiro para pagar o funcionalismo público, pois aqueles que sustentavam a máquina simplesmente passaram a desistir.

Quem almeja um país melhor vive no mundo da lua. Olhem os professores, a constante desvalorização da classe acumulou pessoas não só despreparadas como também mal-intencionadas nesse que é o cargo mais importante para a formação de um país. Hoje se discute mais em uma escola se um menino pode ser, na verdade, uma menina do que o fundamental do Português e da Matemática. Se péssimas pessoas tendem a ocupar cargos de ensino, como o aluno do amanhã poderá ser um empreendedor que tire o Brasil de seu costumeiro buraco?

A vingança veio a cavalo. No fim, o que move essa triste máquina sem coração que chamamos de governo são os ditos capitalistas. Sem capitalistas, não há salário para o funcionalismo público, nem dinheiro para pesquisas que melhorem as condições de vida.

A revolução que vivenciaremos no Brasil não nascerá nas defasadas universidades e seus medíocres alunos maconheiros, nem surgirá em meio aos sindicalistas parasitários que sugam o sangue dos verdadeiros trabalhadores. A revolução do Brasil passa pelas pessoas que simplesmente estão parando de querer fazer algo.

Margareth Thatcher estava certíssima: o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros. Depois, vem o desespero.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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