A internet de todas as coisas

Por: Felipe Sandrin | 11/10/2017 07:16:57

Não há como fugir dela, a conexão. Se a imagem de seus pais e avós conectados à grande rede logo lhe veio à cabeça, aviso: essa é uma minúscula parte do iceberg.

Mais de 14 bilhões de objetos estão conectados neste exato momento à internet. Geladeiras, carros, centrais de segurança, máquinas industriais pesadas, relógios e até árvores, sim, há árvores sendo monitoradas diariamente. Mais do que tecnologia, vivenciamos a grande revolução do todo. E se você acha que há como fugir, engana-se completamente.

Em um futuro próximo – cerca de 20 anos – planos de saúde vão incluir cláusulas para a quebra de privacidade. Aqueles que quiserem aderir a um plano deverão concordar com o monitoramento de sua saúde feito pela grande rede. O Google já opera sistemas parecidos: através da leitura de palavras-chave e buscas, a empresa de software consegue detectar com infinita superioridade aos órgãos de saúde a propagação de doenças.

Não haverá escolha, quem não estiver conectado não usufruirá de melhores condições, mais do que isso, não existirá. Assim como passamos de nômades caçadores coletores para agricultores, agora seguimos ao rumo da conexão. A informação passou a ser a chave desse novo mundo. Ela dita o mercado, as regras e os rumos. A informação precisa correr livre e desimpedida, todo agente que no futuro tentar esbarrá-la será consumido e negligenciado.

Os algoritmos desenham um novo mundo, o processamento de dados elege presidentes e dita os rumos de países como os Estados Unidos. Não há segredos dentro do sistema, não pode haver. A informação é a base que solidifica um novo rumo a toda humanidade, e nós, como incapazes de lidar com o número infinito de informações, começamos a dar lugar às máquinas.

Podemos deter tais diretrizes globais? Sim. Assim como poderíamos ter detido as grandes navegações, a criação de grandes civilizações, o uso do dinheiro. Mas não o fizemos, por quê? Progresso. Assim chamamos tudo que nos sucede. A tecnologia pode ser freada, mas não impedida, sempre que alguém tenta burlar avanços logo se desenham novos caminhos, as infinitas conexões estabelecidas desenham novas curvas dentro deste imenso labirinto de possibilidades.

Somos limitados, mas as máquinas que desenhamos não. Os filmes de um futuro apocalíptico nunca foram tão reais. A comodidade não nos fez mais felizes, ela apenas nos fez querer mais e mais.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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