37 dias para resolver

Por: Greice Scotton | 23/11/2017 17:28:17

Dizem que urgente é tudo aquilo que alguém deixou de fazer em tempo hábil e quer que outra pessoa faça em tempo recorde. Estamos quase no final de novembro e, como todo ano, a palavra urgente vai se tornar cada vez mais comum no dia a dia, testando a paciência das pessoas nos mais variados aspectos.
Não importa se você é motorista ou pedestre, se trabalha 16 horas por dia ou se está desempregado, se pretende fazer um megaevento ou passar as festas sozinho, se é organizado a ponto de estar com todos os compromissos em dia ou é daqueles que sempre que pode adia algo que já poderia ter sido resolvido. De alguma forma, você será afetado pela correria típica de final de ano. Você vai encontrar dificuldade para atravessar a rua ou para estacionar, filas imensas nas lojas e nos bancos e, mais do que uma vez, vai desejar que o dia tivesse mais de 24 horas para dar conta de tudo até dezembro. Mesmo que você seja o mais perfeito exemplo de alguém que não se estressa, aposto que algo vai testar o seu limite.
Desde que desejamos “feliz ano novo”, passaram-se quase 47 semanas inteiras. Ora, se 328 dias não foram tempo suficiente para realizar algo, era de se imaginar que não vai acontecer nas cinco semanas restantes do ano. Mas não. As pessoas vão insistir até tirar você do sério. E, no fim, boa parte do que foi protelado não vai acontecer, apesar de todo o esforço, simplesmente porque não houve tempo hábil para tal.
Todos nós teremos que lidar também com o tradicional e incômodo presente coletivo de final de ano: a megacaixa de frustrações. Sim, porque os meses de novembro e dezembro são especiais para “comemorarmos” acúmulos de todo tipo: cansaço, contas, trabalho, compromissos sociais, culpas... É triste, mas é a realidade da maioria. Mesmo quem se empenhou em cumprir o seu planejamento anual sofre com o peso emocional dessa época. Haja disposição e sabedoria. 
Tudo que todo mundo protelou durante o ano agora vira prioridade de uma só vez, como se à meia-noite do dia 31 de dezembro tudo precisasse estar resolvido sob pena de nunca mais sê-lo. A grande mágica da vida é que justamente à meia-noite do dia 31 de dezembro a maioria das pessoas vai estar feliz, sentindo-se mais leve porque um novo ano vai iniciar e, com ele, a chance de recomeçar. Lindo, desde que você não repita os mesmos erros e em novembro do ano que vem comece a cobrar dos outros o que não fez a tempo durante os outros meses.
“Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida”, diz uma canção do Charlie Brown Jr. Então, façamos dessa frase um mantra para evoluirmos como seres humanos. Desde agora. Quem sabe se cada um de nós fizer uma avaliação do que ainda não fez neste ano e tentar resolver sem enlouquecer familiares, colegas de trabalho e amigos já é um grande começo. E, como resolução de ano novo, minha sugestão é que incluamos na nossa lista de objetivos “menos procrastinação”. Em outras palavras, fazer hoje o que pode ser feito hoje, sem arranjar desculpas para postergar. Um compromisso de cada vez e talvez no final de 2018 estejamos um pouco mais leves de alma.
Encontrar um ponto de equilíbrio para dar conta da demanda de compromissos e obrigações é um desafio e tanto, tão complicado quanto está sendo o ano de 2017. A boa notícia é que dentro de 37 dias um ano novinho, repleto de esperanças, começa. E com ele a chance de nos tornarmos seres humanos melhores.


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Greice Scotton

Greice Scotton

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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