Faça um favor ao Brasil e desligue sua TV

Por: Felipe Sandrin | 15/12/2017 06:00:10

Há mais de duas décadas que a seguinte frase ecoa em cursos de jornalismo: “O jornal impresso irá acabar”. Bem, ao que tudo indica a vida dos jornais será mais longa do que se acreditava, mas há, sim, uma mudança inevitável e fundamental entre as grandes mídias: o monopólio das informações manipuladas estreitou suas brechas.
Contraditório que justamente agora, em uma época onde tantas informações falsas circulam, as grandes mídias estejam sendo bombardeadas pela descrença e total falta de credibilidade. Recentemente visitei a página de Facebook do maior jornal do Rio Grande do Sul e fiquei impressionado ao ler os comentários. Mais de 90% das pessoas que lá comentavam o faziam com o intuito de ofender o jornal e seus jornalistas. Há, de fato, uma transformação benéfica ocorrendo: a população que sempre esteve nas mãos desses veículos, hoje pode ver mais claramente o jogo de interesses ligado à poderosa Rede Globo de Televisão.
Donald Trump, ao contrário do que tentam nos fazer pensar, segue a crescer sua credibilidade junto à grande parte do povo norte-americano. Sua recente decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel trouxe mais uma vez a faceta de interesses das grandes mídias à tona. O mundo que girava em torno das propagandas globais vem se modificando. Para o pavor dos pseudoartistas, jornalistas e outros formadores de opinião, o poder manipulador de tais caricaturas vem se tornando o próprio veneno para eles.

Lembre-se que tudo de ruim perpetuado dentro de nossa política nos últimos anos tem a assinatura da grande mídia. O governo hoje é o principal cliente de tais mídias, o próprio governo é responsável por 70% da verba editorial. Pergunto: você trataria mal seu principal cliente?

O círculo vicioso do poder foi exposto: os tentáculos do governo buscam sempre se expandir empregando mais e mais pessoas para assim torná-las defensoras de um amplo interesse do estado. A falência que se alastra entre as capitais não desfigura, mas revela a real aparência da máquina de mentiras que sempre moveu as correntes do estado corrupto.
Esqueçam tudo aquilo que vocês veem na TV. Entendam que o sistema operante dentro de uma redação não é misto de opiniões. Nesses camuflados espaços mora o que havia de pior dentro de universidades.

O que vemos hoje é apenas um reflexo do rosto que sempre se olhou no espelho. Nada piorou, apenas veio à tona o que sempre se desconfiou existir, mas não se podia provar.

Não confiem em pesquisas para a intenção de votos, não acreditem no falso debate promovido por tais emissoras. Desliguem a TV e acessem mais a internet. Nada pode ser mais mentiroso e manipulador do que programas feitos por especialistas bancados por grandes corporações e governo.
Chega de comermos lixo todos os dias em frente à televisão. Parem de admirar atores em novelas que só revelam a falência de nossa cultura. O pior do Brasil está na telinha. Quer fazer um país melhor? Comece desligando a TV.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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