2017, o ano dos milagres

Por: Greice Scotton Locatelli | 22/12/2017 07:00:30

Pode ser que você não acredite em milagre do tipo religioso. Mas, mesmo assim, precisa admitir que 2017 está chegando ao fim como um ano em que muitos “milagres” aconteceram. O trevo da Telasul foi um deles. Achei que não viveria o suficiente para ver essa demanda sair do papel. Apesar de paliativa – um viaduto seria o ideal, como já amplamente debatido e divulgado –, a obra resolveu dois problemas históricos: os congestionamentos em horário de pico e os acidentes graves. Mais vale uma obra paliativa realizada do que um projeto ideal no papel. 
E por falar em trânsito, a construção (finalmente) das cabeceiras sobre o arroio Santa Bárbara, que deságua no Rio das Antas, foi concluída. Para quem não sabe do que eu estou falando, um breve resumo: a ponte foi construída e ficou 7 anos em desuso porque não tinha cabeceiras que permitissem a ligação com a pista. Sim, você leu direitinho: uma ponte pronta, em desuso porque não tinha cabeceiras. Esse foi outro milagre de 2017.
Outra obra que custou a sair do papel, mas que o fez em grande estilo, foi o Centro Empresarial de Bento Gonçalves. Era um sonho antigo da comunidade empresarial e que foi concretizado graças a algo que não se vê muito por aqui: união em prol do coletivo. Entidades e associações juntaram esforços e a obra foi inaugurada com toda pompa que a circunstância merece.
A realização de “milagres” como esses que citei acende uma chama de esperança de que um dia outras demandas que de tão históricas quase caíram no limbo da banalidade possam se tornar realidade: o Centro Administrativo Municipal e o novo presídio. O primeiro centralizaria todos os órgãos e secretarias ligados à prefeitura em um único endereço, possibilitando a redução dos gastos com aluguéis e facilitando (muito) a rotina da comunidade. O segundo dispensaria explicações, mas nunca é demais lembrar: uma estrutura obsoleta, superlotada, em pleno centro da cidade, sem condições mínimas de abrigar pessoas, independentemente de serem ou não culpadas pelos crimes que cometeram. Talvez se eu “apostar” que não viverei tempo suficiente para ver a materialização delas, aconteça como o trevo da Telasul e eu tenha que morder a minha língua. Seria por dois ótimos motivos!
2017 também foi um ano de perdas que impactaram a comunidade de Bento Gonçalves. No início do ano perdemos Francisco Andognini, o querido padre Chico, que deixou uma lacuna de saudades em muitas famílias. A cidade também se despediu do empresário Moysés Michelon, do ex-prefeito Darcy Pozza e do ex-pracinha Francisco Pértile com diferença de poucas semanas. O plano de seu Moysés, de viver até os 100, foi interrompido por uma complicação respiratória aos 83. Pozza, a maior liderança política que a cidade já teve, enfrentava as sequelas de um Acidente Vascular Cerebral sofrido cinco anos atrás. Falecido aos 79 anos, ele deixou um legado que certamente perdurará para sempre na memória e na história não só de Bento Gonçalves, mas da região. Pértile se despediu sutilmente, de forma muito parecida com o jeito como costumávamos vê-lo e, certamente, cumpriu sua missão neste mundo. Deu tempo de enaltecer a importância de dois deles em vida: Michelon e Pértile foram homenageados pela passagem dos 50 anos da Fenavinho e pelos serviços prestados à Pátria, respectivamente. Não menos merecedor, Pozza teve uma linda homenagem pós-morte que comoveu a cidade. Fica a saudade e a certeza de que os ensinamentos deles fizeram, fazem e farão parte do que Bento Gonçalves é e será.
Aproveitamos a última edição deste ano para agradecer a sua companhia e a parceria das empresas que confiam no SERRANOSSA como meio para divulgar suas marcas. A você, leitor, o nosso muito obrigado e o desejo de Boas Festas, com muita saúde e prosperidade. Que 2018 nos permita viver novos milagres e superar eventuais perdas inevitáveis.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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