Que sol nascerá no horizonte de Lula?

Por: Felipe Sandrin | 19/01/2018 06:00:40

Faltando poucos dias para seu julgamento, Lula se joga de cabeça em sua candidatura à presidência e o que vemos? A velha tática dos socialistas que sugam o máximo de seu poder através dos apadrinhamentos. O próprio Lula gravou um vídeo recentemente defendendo o crescimento do Estado e de seus tentáculos. Por que, afinal, Lula e o esquadrão da esquerda fazem tanta questão de crescer o governo? Ora, muito simples: quanto mais gente é empregada pelo Estado, mais pessoas dependem dele para crescer, logo, você defenderá cargos públicos com unhas e dentes. 

Para vocês terem uma ideia, a cada 100 trabalhadores no Brasil, 12 são bancados com o dinheiro do povo. São mais de 2,2 milhões de funcionários públicos. Não haveria nada de errado com isso se não fosse o simples fato de que a grande parcela desses funcionários é usada como incansável massa de manobra. Observem as greves, as passeatas, os protestos violentos. O fato é que, se quem estiver no poder agradar o bolso desses funcionários, então o brasileiro poderá seguir sua rotina. Por isso as greves foram tão poucas até agosto de 2016, quando o bastião Dilma veio a cair. Logo a bagunça foi declarada como um direito.

Em um país engessado pela burocracia, onde 6 a cada 10 empresas fecham nos primeiros cinco anos, é natural que boa parte da população almejasse cargos públicos em busca da estabilidade. Mas o preço de assassinar o empreendedorismo é alto. Assim, matamos os talentos que gerariam empregos e trariam mais renda. Assim, expulsamos mentes capazes que, se incentivadas, poderiam mudar o cenário absurdo que vivemos há décadas.

Isso resume em boa parte os ataques que tantas pessoas sofrem no Brasil quando se declaram contra a política de elementos como Lula. Se a esquerda usa o crescimento do Estado para arrumar filiados, logo, essas pessoas precisam declaradamente atacar e calar tudo aquilo que possa diminuir o tamanho desse Estado e sua arrecadação. E, veja bem, se hoje temos 2,2 milhões de pessoas dependentes do nosso dinheiro, pensem nos números quando incluímos os familiares delas. Temos, então, a receita perfeita para que uma multidão precise defender com unhas e dentes seus candidatos. Ah, e não nos esqueçamos dos artistas famosos e das emissoras de TV que recebem bilhões em verba pública para rodar as campanhas em épocas de eleição.

Se existe uma máquina bem lubrificada no Brasil, essa reside nos altos cargos do funcionalismo público. É dali que saem as leis, os julgamentos e a burocracia que não permite chegarmos ao bilionário cadáver público. Assim escorre o desgraçado líquido que respinga em professores, médicos e juristas. Assim se estabelece o emaranhado mesmo nó que prende aqueles com salários de R$ 2 mil àqueles que ganham R$ 50 mil. Um vínculo estreito que liga o cenário caótico daquele que não recebe seu salário de R$ 2 mil há meses àquele que, no alto de seu cargo, vê sempre seu rico dinheiro cair pontualmente em sua conta. Duas engrenagens de tamanhos diferentes, mas que operam o mesmo absurdo sistema.

Lula será julgado culpado ou inocente e que efeito isso surtirá no povo brasileiro? Talvez seja possível responder essa pergunta dentro de uma década, mas o mais provável é que sigamos cegos dentro da neblina que essa mesma máquina produz. Porque em um país onde praticamente nada funciona, o Estado segue sendo soberano, um relógio suíço que não atrasa em pingar o dinheiro do povo que lubrifica os tentáculos criados pelo grupo mais unido deste patético Brasil, o grupo dos políticos. 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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