Empatia: meu desejo para 2018

Por: Greice Scotton Locatelli | 19/01/2018 06:00:25

Falta de empatia e solidão dividem, na minha opinião, o topo da lista de males mais nocivos do século. Embora tão grave quanto, a solidão tem suas consequências restritas mais ao indivíduo do que à sociedade como um todo. A falta de empatia não: ela impacta diretamente uma comunidade e pode trazer sequelas graves e irreversíveis.
Empatia, de uma forma geral, é a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, entender seus sentimentos e aceitar suas opiniões. Quanto menos empatia, menos tolerância. Quanto menos tolerância, mais graves os problemas da sociedade se tornam.
A discussão em torno do assunto é ampla e tem ganhado novos capítulos. Em São Paulo, por exemplo, habilidades socioemocionais (como a empatia) vão virar currículo a partir deste ano. Embora seja um primeiro e importante passo, a notícia só não é tão boa porque não haverá uma disciplina específica para o tema, ou seja, ele será “diluído” entre outros conteúdos, o que abre brecha para que sua aplicação seja definida conforme cada professor – e, convenhamos, nem todos terão preparação, tempo e, infelizmente (no caso de alguns), boa vontade para absorver mais esse compromisso. Ensinar uma criança e adolescente a aplicar a máxima “não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você” exige paciência, determinação e foco. Aliás, muitos adultos ainda precisam aprender essa lição. E talvez seja justamente esse o ponto crucial que vai definir o futuro do Brasil: nossa capacidade de criar empatia.
Em Londres, o primeiro museu destinado a essa capacidade do mundo foi criado em 2015 e, desde então, a estrutura, em forma de caixa de sapato gigante, já percorreu vários países, inclusive o Brasil. O visitante é convidado, literalmente, a calçar os sapatos de outra pessoa e, durante a experiência, ouve histórias, dilemas e alegrias do “dono” do sapato. Entendendo sua percepção e seus motivos, a chance de haver respeito é muito maior.
Foi buscando despertar justamente empatia que criamos aqui no SERRANOSSA a série especial Vida de..., que mostra histórias de pessoas comuns. Era para ser um projeto temporário, mas a aceitação se tornou tão grande que já estamos na 60ª reportagem e pretendemos não parar tão cedo.
Desenvolver empatia, aliás, é um exercício constante para mim não só no lado profissional. Desde criança, sempre fui incentivada a pensar em como outra pessoa se sentiria em relação às minhas atitudes. Essa prática serviu (e ainda serve) como uma espécie de “filtro balizador” – sabe aquelas pessoas que te prejudicam e te inspiram a devolver o troco na mesma moeda, como dizem? Esse “filtro” ajuda muito nessas horas. 
Saber que, mesmo lentamente, o aprendizado de habilidades socioemocionais está chegando às escolas serve como alento quando se pensa no futuro do país, especialmente nesta época, em que as esperanças estão renovadas. Se desde cedo as crianças aprenderem a respeitar o fato de que todas as pessoas são diferentes, as chances de se tornarem adultos mais empáticos aumentam significativamente, permitido uma convivência melhor em todos os aspectos, inclusive no mercado de trabalho. Eu acredito que uma mudança maior pode acontecer se cada um fizer a sua parte. E é esse o meu desejo para este ano que começa. Que saibamos nos colocar mais no lugar do outro para tornarmos o mundo um lugar melhor de se viver, um dia de cada vez. 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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