O macaco amarelo

Por: Greice Scotton | 02/02/2018 06:00:08

“Vamos todo mundo tomar a vacina do negócio do macaco amarelo, do macaco da gripe, do... do macaco aí. É a vacina do macaco agora que estão dando. Eu só não entendo: se o macaco que está com febre, por que eles não dão remédio ‘pro’ macaco em vez de dar ‘pra’ gente, né? Vai entender. Não é melhor curar o macaco e a gente ficar livre disso? Mas todo mundo ‘tá’ indo tomar, eu vi umas filas grandes no posto, não sabia o que era não. Não sei, nunca vi macaco por aqui, mas é melhor a gente tomar.”
Essa é a transcrição de um áudio que está sendo amplamente compartilhado via WhatsApp. Espero muito que, da mesma forma que recebi, seja para rir da situação e não para levar a sério o que a pessoa que gravou o áudio diz. 
Ela não entende por que não “vacinam o macaco”. Eu não entendo como pode haver tanta desinformação em pleno 2018, com praticamente todas as pessoas tendo celular com acesso à internet. E não estou falando de jornal, uma mídia que, infelizmente, não chega nem perto da audiência que a televisão e o rádio têm. Todos os canais e frequências abordam o assunto todo santo dia, várias vezes. Reportagens, dicas, alertas, entrevistas com especialistas. Chega a ser repetitivo. E, ainda assim, algumas pessoas como a senhora que mandou esse áudio conseguem fazer uma confusão de informações desse nível e, pior, saem espalhando isso. Haja paciência.
Não é à toa que na última semana a apresentadora do programa “Mais Você”, da Rede Globo, deu um recado indignada, ao vivo, chamando de “burrice” a atitude de alguns, especialmente quem está provocando a morte de macacos por entender que eles são os transmissores da febre amarela. Quem transmite a doença são mosquitos, entre os quais o mesmo da dengue. 
Nesta semana, o jornalista, professor e escritor André Trigueiro reforçou, pela enésima vez, o assunto em seu perfil no Facebook: “Já fiz vários alertas (como tantas outras pessoas e organizações) sobre o absurdo de se matar macacos em tempos de combate à febre amarela quando o verdadeiro vilão é o mosquito. Mas parece que não estão surtindo efeito... O ano mal começou foram registradas 104 mortes de macacos [somente no Rio de Janeiro]. Mais da metade por agressões covardes (pedradas, pauladas e envenenamento). Na maior parte dos casos são bugios, saguis e macacos-prego. Mas também foram encontrados dois cadáveres de micos-leões-dourados (espécies ameaçadas de extinção) com lesões características de agressões. Tudo isso é um absurdo completo! Os macacos são sentinelas, biomarcadores da presença do vírus da febre amarela. Quando macacos morrem pela doença, as autoridades de saúde conseguem acionar protocolos de resposta (isolamento da área, vacinação da população, etc) que evitam a expansão do vírus entre humanos. Os macacos são vítimas como nós. O que devemos fazer é exterminar os focos do mosquito. Simples assim. O problema é que a ignorância tem prevalecido e a matança dos macacos continua”. 
A informação está à disposição de quem tiver interesse, tão fácil de ser acessada quanto aquela foto que a sua vizinha postou no Instagram e que despertou a sua curiosidade. Faça um favor para si mesmo e para a humanidade: antes de falar besteira e enviar nos grupos de WhatsApp, informe-se.
Em tempo, caso você ainda não tenha entendido ou tenha dúvidas: a febre amarela é transmitida por mosquitos e pode atingir tanto o homem quanto outros vertebrados, como os macacos. O Brasil enfrenta desde 2016 um grande surto de febre amarela, principalmente os estados do Sudeste. A vacina é a principal ferramenta de prevenção e é indicada para pessoas que vão viajar para as áreas de risco, devendo ser tomada 10 dias antes da viagem. As informações são do Ministério da Saúde.


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Greice Scotton

Greice Scotton

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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