Os bandidos e suas armas que derrubam aviões

Por: Felipe Sandrin | 02/09/2018 06:00:00

Fala a verdade: você acreditou naquele lance de lei do desarmamento, né? Você apoiou, achou superlegal o jeito que o governo e os “artistas” da Globo venderam a ideia de que no Brasil todo mundo ia se dar a mãozinha e cantar musiquinhas de paz. Pode admitir, você acreditou naquela mentira toda, né? Pois é, eu também.

Vocês já perceberam o que essas pessoas fizeram? Sim, essas pessoas que se julgam paladinos da justiça, que enchem a boca para falar sobre como as crianças na favela da Rocinha não recebem oportunidade e como crianças na África morrem de fome. Essas pessoas que citam problemas no Brasil inteiro, mas que não resolvem nem os próprios problemas em casa. É mais fácil amar as crianças da Rocinha e da África, afinal, elas estão longe.

Essas pessoas que falam sobre as mais diversas causas sociais, que apoiavam o desarmamento porque, segundo elas, armas matam. Essas mesmas pessoas que correm em defesa de assassinos e estupradores, que advogam a favor desses dizendo que a culpa é de uma sociedade que está muito ocupada trabalhando ao invés de estar ensinando marginais a saírem de suas miseráveis vidas.

Percebam. Primeiro eles desarmaram as pessoas de bem, depois passaram a falar sobre os bandidos serem vítimas da sociedade. Nas escolas ensinavam que o problema do mundo era o capitalismo, ou seja, você querer trabalhar para si e não para sustentar outros.  Eis a receita que originou esse Brasil atual. Um país onde uma mulher não pode carregar um spray de pimenta, mas bandidos carregam metralhadoras capazes de derrubar aviões e destruir carros-fortes.

Não faz muito tempo que estive no Paraguai e, enquanto andava pelas ruas, várias vezes me foram oferecidas armas e munição. Pergunto: alguém realmente acredita que um bandido dirá: ‘Nossa, no Brasil não é permitido ter armas, então não vou comprar’. A defesa dos que pregam o desarmamento é que qualquer briga de trânsito resultará em tiros. Fala sério! Se essas pessoas são tão preocupadas com o cidadão de bem onde elas estiveram na última década enquanto o Brasil virava um dos países mais violentos do mundo?
Todos os dias nos deparamos com notícias que evidenciam sobre como o Estado perdeu totalmente o controle sobre a segurança das pessoas de bem.

Nós hoje estamos na mão de um Estado que se tornou cúmplice dos bandidos. Um Estado que gasta mais dinheiro com bandidos do que com crianças, que investe mais em advogados para a defesa de marginais do que nas famílias que tiveram vidas ceifadas por esses criminosos.

Desconfiem de todas essas pessoas que se vendem falando sobre como se importam com os outros, com as crianças e o direito da dignidade humana. Percebam que geralmente quem tanto fala sobre a justiça social nada faz para realmente mudar o cenário absurdo que hoje vemos nesse país.

Chega de sermos iludidos pelo discurso de que o Estado cuidará de nós. A centralização do poder só beneficiou aqueles que dependem do dinheiro sujo desse mesmo Estado.

O cidadão de bem deve ter o direito a cuidar de si, de sua propriedade e de sua família. Negue isso às pessoas e logo elas negarão ao próprio país.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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