Das coisas que eu não entendo

Por: Greice Scotton Locatelli | 16/02/2018 06:00:00

Em um mundo frenético, com pessoas cada vez mais sobrecarregadas de tarefas, a praticidade tem se confundido com a superficialidade. Especialmente no que diz respeito às informações. Quanto menos “tempo perdido” lendo, melhor. Quanto menos necessidade de interpretar o que está escrito, também. Só que esse comportamento preguiçoso esconde um problema muito mais complexo por trás: a falta de capacidade que muitas pessoas têm de ler e compreender o que está escrito.

Somado à curiosidade normal do ser humano e à atenção que notícias sensacionalistas chamam, isso tem provocado uma onda de notícias falsas, especialmente nas redes sociais. O G1, um dos mais importantes portais de notícias do Brasil, chegou a criar uma página especialmente para desmascarar informações inverídicas. E tem de tudo... De algumas que poderiam facilmente ter acontecido de verdade a outras que não é nem necessário clicar para saber que não passam de imaginação popular das mais criativas – e bizarras.

Vamos a algumas “pérolas”: 

“Nasa e Uruguai fizeram alerta de tsunami após recuo do mar no Sul do Brasil?” Boato puro.
“Cédulas de dinheiro carregam bactéria sem cura que ‘come’ carne humana”: outra notícia falsa compartilhada via WhatsApp. A mulher que teria supostamente passado a informação não existe e especialistas dizem que a mensagem não tem fundamento.

“Artista que fez performance nu foi morto a paulada”: mais uma para a série “escrita por quem não tem mais o que fazer”. Wagner Miranda Schwartz foi pivô de uma polêmica em razão de um vídeo em que uma criança interage com ele nu no Museu de Arte Moderna (MAM). O crime não aconteceu, mas muita gente acreditou na foto compartilhada junto, que na verdade é de um homem morto a tiros no Paraná.

Esses são só alguns exemplos que ganham força com o advento das redes sociais. E nem vou entrar no mérito das correntes milagrosas, das mensagens que garantem que se a pessoa curtir ou compartilhar uma criança doente ganha dinheiro do Facebook e por aí vai. Se continuar nesse ritmo, aposto que em pouco tempo haverá mais notícias falsas do que reais circulando em redes sociais. 

Só que isso só acontece porque quem recebe acredita e compartilha sem verificar. A complexidade do problema – e a ineficácia das soluções encontradas até então – tem causado uma repercussão importante. Na semana passada, por exemplo, a Folha de São Paulo, o mais importante jornal do país, anunciou que não vai mais compartilhar notícias via Facebook. O excesso de informações falsas em circulação é um dos motivos apontados.

Em nível local, foco de atuação do SERRANOSSA, ainda não temos sentido tanto, embora de tempos em tempos apareçam alguns desinformados compartilhando que a ponte sobre o Rio das Antas ficou submersa após uma chuvarada, por exemplo (caso você já tenha recebido essa “pérola”, saiba que a tal ponte fica no Paraná e que nunca o nível do Rio das Antas subiu a ponto de a estrutura ficar debaixo da água). Mesmo assim, como meio de comunicação, nos sentimos na obrigação de fazer a nossa parte contra essa praga virtual que se tornou tão comum no nosso dia a dia.

Em tempo... já conferiu as novidades do portal SERRANOSSA? Além da volta do Classigrátis, atendendo a uma sugestão de vários leitores (você pode enviar sua oferta gratuitamente pelo serranossa.com.br/classificados), temos um novo colunista on-line. O padre Ezequiel Dal Pozzo assina textos publicados semanalmente no portal desde a última semana. 
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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