Por que Bolsonaro avança para ser o novo presidente do Brasil

Por: Felipe Sandrin | 23/02/2018 06:00:10

Só há uma forma – dentro da normalidade – de impedir que Bolsonaro seja eleito presidente: a pauta da violência precisa ser substituída. Convenhamos que isso não irá ocorrer. Afinal, como seria possível fazer o cidadão de bem deixar de ter medo do descontrole que tomou conta do país?

Vejam bem, durante décadas, temas como o da educação, saúde e economia regeram os discursos políticos e motivaram o povo a escolher seus candidatos. Em 2018, porém, as pessoas se viram presas a uma cruel realidade: de nada adianta uma escola de qualidade se eu não tiver a sensação de que meu filho conseguirá regressar para casa. De nada adianta ótimos hospitais se formos alvejados por disparos de metralhadora. De que adianta a economia ir bem e termos nossos empregos se em qualquer esquina um marginal pode surgir.

A violência é a pedra no sapato de todos os brasileiros, e se o vilão se veste de bandido armado quem se torna o super-herói da história? Engraçado pensar como criamos nossos próprios monstros. O monstro da esquerda brasileira atende pelo nome de Jair Bolsonaro.  Qual o principal tema tratado por este? Violência. De onde emergiu essa absurda violência? Da realidade governamental das últimas décadas. Décadas nas quais vimos o trabalhador sofrer na mão de bandidos; décadas nas quais vimos o Judiciário soltando estupradores e assassinos. Décadas nas quais os Direitos Humanos se focaram em defender um único lado: o lado dos marginais.

Estamos todos loucos, loucos de medo, loucos por termos acompanhado a liberdade nos ser tirada e dada àqueles que vivem às margens da lei. E não importa mais onde nasce o delinquente, o morro que este habite, não importa se sua comunidade carente tem escolas medíocres, professores medíocres e um ensino medíocre. A população não consegue analisar círculos viciosos, distinguir causas de consequências. Porque a bala que mata o pai de família fala mais alto do que o discurso da educação. Porque as famílias que perdem entes queridos não querem saber os motivos que fazem um assassino se tornar assassino.

As grandes mídias estão perdidas, elas não parecem ter uma clara noção do que vem acontecendo e o motivo parece simples: perderam o poder das pautas. Vou dar um exemplo. Se juntarmos todas as redes de comunicação de Bento Gonçalves, rádios, jornais, publicações on-line, se juntarmos absolutamente tudo dessas mídias, elas não alcançam em um mês o público que alguns garotos de 18 anos alcançam em 1 hora. Isso mesmo. O impacto de jovens influenciadores digitais bate a casa dos milhões de acessos. São essas pessoas, suas realidades, suas palavras não polidas que hoje repercutem e influenciam pessoas.

Enquanto as poderosas organizações midiáticas nos empurram goela abaixo coisas como Pablo Vittar e Big Brother, esses jovens em seus celulares atingem um público muito maior. Um público cansado das mentiras que programas de TV sempre contaram e que nos levaram ao cenário atual.

A onda conservadora se ergueu por um motivo simples: à medida que a agenda da esquerda avançou, o Brasil se transformou em um mar sem leis. A liberdade que após o século 17 passou a preceder a própria vida não suporta nada que pareça restringi-la, tudo que a ameaça precisa ser erradicado. Hoje, aparentemente, o que não permite as pessoas serem livres se denomina violência. 

Então, a quem quiser evitar Bolsonaro e o conservadorismo cabe essa indigna missão: fazer mais de 200 milhões de pessoas se sentirem seguras.


 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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