Agora vai? Espero!

Por: Greice Scotton Locatelli | 13/04/2018 06:00:48

Tirar o presídio da área central de Bento Gonçalves é uma demanda histórica, cuja urgência vem se agravando. Como jornalista, acompanhei toda a novela envolvendo esse assunto, desde os primeiros debates – há muitos anos – até a inspeção das áreas pela Susepe. A tão sonhada assinatura do contrato de permuta ocorreu nesta semana, em Porto Alegre, e reacendeu a minha esperança de ver essa obra finalmente se tornar realidade, embora, admito, só vou acreditar mesmo no dia em que estiver pronta e inaugurada. Essa desconfiança é fruto de décadas de expectativas geradas – e frustradas. Segundo a prefeitura, a obra começa já nos próximos dias e deve ser concluída em dez meses – será um marco na história da cidade se isso realmente ocorrer. 

O novo presídio – chamado de forma oficial de Penitenciária Masculina de Bento Gonçalves –, aliás, é a primeira obra na minha lista de “talvez nunca saia do papel”. Pessimismo? Talvez, aguçado pela dura realidade das promessas públicas que raramente se realizam ou que demoram tempo demais a acontecer. O segundo lugar da lista era ocupado, desde sempre, pelo trevo da Telasul, na BR-470. No ano passado, com prazer, eu mordi a minha língua quando finalmente as obras da nova rotatória terminaram e, confesso, é um alívio muito grande não ter mais que noticiar acidentes graves naquela região. Foi a mesma sensação que tive há alguns anos, quando a 470 ainda era RSC e o governo do Estado readequou o trevo de acesso a Carlos Barbosa. Um simples desvio de alguns metros e o número de mortes, que era absurdo, despencou drasticamente. 

Como jornalista e cidadã, tenho consciência da lentidão inerente a tudo que é público neste país, apesar da insistência da comunidade e de lideranças. Mas também ressalto que é necessário valorizar quando essas ações acontecem, por mais que pareçam somente tentativas. Na última edição do SERRANOSSA, por exemplo, anunciamos uma obra que pode mudar para melhor a rotina de quem mora na região norte da cidade, especificamente nos bairros São Roque e São João: o projeto de uma passagem subterrânea na BR-470. Era para ser uma boa notícia, mesmo que ainda na teoria. Mas a reação de alguns leitores nos surpreendeu. 

Uns “ressuscitaram” a polêmica que envolveu a obra do trevo da Telasul, acusando a prefeitura de não ter construído um viaduto no local – parênteses aqui: o trevo fica em Garibaldi e a rodovia é federal, nem que a prefeitura quisesse poderia ter investido nessa obra. Além disso, como já citei antes nesse mesmo espaço, prefiro ver uma rotatória inaugurada, mesmo que paliativa, do que um projeto de viaduto no papel. Outros apostaram que a obra não vira realidade antes do ano 2050 e houve ainda quem garantisse que metal e cimento são mais baratos do que o trabalho de escavação. Alguns internautas ainda se mostraram inconformados com a chuva de reclamações: “Quando fazem ou tentam fazer, criticam. Quando não fazem e não tentam fazer, criticam”, disse o leitor Robson Heitor Piletti. Entre os comentários também estão alguns de quem convive com o problema: “Eu convido a quem critica a tentar atravessar o trevo quatro vezes por dia. Se não sabe, não opine!”, argumentou o leitor Marcio Pandolfo. 

Em resumo: é importante cobrarmos ações que melhorem nossa qualidade de vida e façam jus ao volume de impostos que pagamos, além de lutar para que os projetos não caiam no imenso limbo das promessas de campanha. Mas também é imprescindível saber distinguir entre a crítica pela crítica ou a crítica com fundamento, que possa contribuir em vez de apenas denegrir. 

E quanto ao presídio? Já entrei em contagem regressiva para o dia em que, neste mesmo espaço, eu possa (finalmente) morder a minha língua assim como eu fiz com o trevo da Telasul.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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