Dinheiro para a educação no lixo

Por: Felipe Sandrin | 13/04/2018 06:00:29

Você sabia que o Brasil investe tanto dinheiro na educação quanto países como Portugal, Espanha, Itália e Coreia do sul? Incrível não? Entre 2004 e 2014, por exemplo, o investimento na educação quadriplicou. Pois é, você não está lendo errado. Faz tempo que o Brasil investe muito na educação... de universitários. 

Então agora você se pergunta: como é possível nossos índices educacionais seguirem sendo tão ridículos? O que está errado? Resposta: o Brasil investe nas universidades, ou seja, em causas perdidas. 

Pesquisas comprovam que 50% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais. Sim, isso mesmo, metade dos ditos “mais capazes” que frequentam o Ensino Superior não conseguem compreender e interpretar textos ou mesmo fazer operações matemáticas que tenham um nível mínimo de complexidade. 

Por outro lado, se gastamos uma fortuna com adolescentes, somos um dos países que menos investe na educação de base até a quinta série, ou seja, nossa nação é uma grande máquina destruidora de mentes infantis e ao mesmo tempo uma perpetuadora da ignorância a qual se consolida hoje principalmente nas universidades federais. 

Pense comigo: por que o estado deveria investir em crianças? Criança não vota. Criança não faz manifestação. Criança não pendura faixas escritas “fora Temer” nem conseguem impedir aulas ou cantar palavras de ordem do tipo: “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”. 

Nossas universidades se transformaram em um antro de ideologias, quem não concorda com a maioria não tem o mínimo direito ao debate. O corpo acadêmico (professores), no geral, é enquadrado em uma mesma causa, causa essa que elimina colegas com opiniões contrárias. 

Lembre-se sempre disso: o problema do Brasil não está na falta de investimento para a educação, mas na distribuição desse dinheiro. A criança com pouca condição que deveria receber uma ótima instrução para, no futuro, conseguir competir igualmente é destruída para dar lugar a um futuro adolescente que mal sabe usar a matemática e o português, mas que em contrapartida grita palavras de ordem e vota em candidatos que defendem coisas como a legalização da maconha. 

Nosso país aceitou a ideia de que um professor deve formar um cidadão quando na verdade a noção de cidadania é subjetiva, ser um cidadão para alguém de extrema-esquerda é diferente da noção de cidadania de alguém da extrema-direita, ou seja, professores se tornaram puramente ideológicos e vendem a ideia de um mundo que os convém. Resultado: foi abdicada a principal função do professor que seria a de ensinar disciplinas e preparar o aluno para um mercado competitivo. 

A mistura é explosiva: mínimo investimento na educação de base, nas crianças. Limites não demarcados para a influência do corpo docente sobre essas crianças e, finalmente, universitários analfabetos funcionais na mão de políticos. 

O Brasil não investe pouco em educação, o Brasil investe mal. De onde deveriam sair nossas mentes mais brilhantes hoje – salvo algumas raras exceções – estão saindo perfeitos idiotas. 

Se seguirmos investindo em adolescentes débeis que já foram estragados, logo investimento nenhum será suficiente. Dependeremos não de mudar nosso foco de ensino, mas, sim, de um milagre. 
 


É proibida a reprodução, total ou parcial, do texto e de todo o conteúdo sem autorização expressa do Grupo SERRANOSSA.

Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



O SERRANOSSA não se responsabiliza pelas opiniões expressadas nos comentários publicados no portal.



Leia a Edição
IMPRESSA


Edição 657
27/04/2018
Edições Anteriores

Curta o SERRANOSSA