Não é por aí

Por: Greice Scotton Locatelli | 05/04/2018 06:00:30

Há bandeiras e lutas que devemos pensar bem antes de sair defendendo, especialmente em tempos de comunicação instantânea via internet. Exemplo recente: notícia de que quase um milhão de carros gaúchos estavam em circulação com o IPVA vencido – o prazo final encerrou em abril e a inadimplência ficou na casa dos 21%, segundo o governo. Alguns comentários incentivando o não pagamento por não haver contrapartida em termos de investimento preocupam. 

Eu concordo que não recebemos sequer uma migalha do que pagamos em impostos volta como instrumentos para uma melhor qualidade de vida. Os tributos estão embutidos em tudo que consumimos ou contratamos e, mesmo assim, temos que aderir a planos de saúde e empresas de segurança se quisermos um atendimento condizente com as nossas necessidades, por exemplo – e olha que ainda estamos no paraíso especialmente no quesito saúde pública se compararmos com outras cidades.

Só que, acima da nossa indignação, existem leis necessárias para a convivência em sociedade. 

Mas não é só nesse quesito que opiniões vazias e sem fundamento mais atrapalham do que ajudam. Há exemplos locais recentes que geraram uma polêmica desnecessária, na minha opinião.

A rejeição das pessoas à proposta de animais em ambiente hospitalar, que tramita na Câmara de Vereadores. Pessoal, ninguém vai ser leviano de deixar bichos de estimação circularem livremente dentro de hospitais. Há todo um cuidado e uma logística. Acima de tudo, há estudos e experiências práticas que comprovam benefício que os pacientes têm ao reencontrarem os seus pets – quem tem cachorro, gato ou qualquer outro tipo de animal sabe o amor incondicional deles. O próprio Tacchini manifestou apoio à lei, citando atividades anteriores semelhantes aprovadas. Que tal nos informarmos melhor antes de sair metralhando críticas para tudo que se tenta fazer na cidade?

E não para por aí: outra proposta recente, também da Câmara de Vereadores, de capacitar professores e funcionários de escolas para prestarem os primeiros socorros também foi alvo de reclamação. Qual é o problema em fazer com que as pessoas estejam aptas a salvarem uma vida até a chegada do socorro? Penso que ter noções básicas é útil não só no trabalho – para o caso de professores e colaboradores de escolas –, mas em qualquer situação da vida real. 

Que tal exercitarmos um pouco o otimismo e vermos pelo menos uma coisa boa antes de reclamar de alguma da qual não gostamos?

E por falar nessa lei, na última semana eu tive a oportunidade de conversar a Alessandra, mãe do Lucas, um menino de dez anos que morreu no ano passado depois de se engasgar com um pedaço de salsicha durante um passeio da escola, em São Paulo – foi a morte dele que motivou uma campanha nacional pela chamada “Lei Lucas”, sancionada em Bento na última semana. Chorei muito, especialmente quando ela disse que depois de iniciar a mobilização teve conhecimento de centenas de outros casos semelhantes. Eu tenho um afilhado da mesma idade e me coloquei no lugar dela e das pessoas que amavam o Lucas e todas as crianças que morreram engasgadas porque não tinha um adulto para fazer uma manobra simples de desengasgo. Clique aqui para conferir a reportagem completa.

Está na hora de valorizarmos as iniciativas positivas e quebrar esse ciclo de reclamar de tudo e todos o tempo todo nas redes sociais.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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