Para cada péssimo serviço, uma grande oportunidade

Por: Felipe Sandrin | 18/05/2018 06:00:35

Antes de você começar a ler este texto, preciso deixar algo bem claro: eu não recebi nenhum centavo para escrever isso. Digo isso, pois não me prenderei ao cuidado de esconder nomes e proteger “instituições”, até porque aquilo que escreverei aqui é o que 99,9% das pessoas passam.

Pois bem, deve fazer cerca de um ano que, por curiosidade, solicitei e comecei a usar um cartão de crédito chamado Nubank. Fui atraído pela ideia do “taxa zero”. Obviamente desconfiei, passei dias pesquisando onde estava a pegadinha, onde eu seria sabotado. Pois bem, não encontrei o furo e decidi arriscar. O que pude constatar nesse tempo usando este dito cartão grátis? Que somos reféns de um serviço ridículo oferecido pelos bancos do Brasil. Digo isso, pois nunca, NUNCA, o pessoal do referido cartão levou mais do que cinco minutos para responder e resolver meus problemas. Nunca dentro desses meses utilizando o Nubank vi um centavo sequer ser descontado de minha conta junto de uma taxa “surpresa”.

Horas perdidas em filas, funcionários mal-humorados, dias esperando respostas e ainda assim ser esquecido pelo “sistema”. Essa foi minha experiência com o Banrisul, com a Caixa Econômica e com o Banco do Brasil. Tenho um real repúdio pelo tipo de serviço que essas empresas prestam, entrar em uma agência bancária para mim hoje é algo comparado a estar em um péssimo hospital: a energia desses ambientes é tão pesada que, de uma forma simples, eu consigo entender porque esse Brasil segue sendo um país no fundo do poço. Uma agência bancária, sua ineficiência, a arrogância com que nos tratam é um retrato do Brasil que não avança, que finge estar aprendendo a andar, mas que logo lhe dará uma nova rasteira.

Pagamos as maiores taxas do mundo, juros sobre juros, mas para quê? Para sermos reféns de greves, para vermos nosso dinheiro ser descontado em serviços que são cobrados de formas absurdas? Curvas e labirintos sugando centavos, nossos centavos. Assim se formaram também as empresas de telefonia e de televisão paga. Protocolos intermináveis, esperas na linha, cancelamentos supostamente confirmados que no mês seguinte surgem na sua caixa de correio. O mau atendimento e o descaso das grandes empresas sempre foram premiados. Enquanto isso, lá estávamos nós, os escravos de um sistema que aos poucos te faz não só um dependente, mas um impotente.

Assim surgiu o cartão Nubank, através de um estrangeiro que por seis meses tentou abrir uma conta no Brasil e não teve sucesso. Assim começa uma revolução nesse país, com pessoas comuns se perguntando: “por que preciso aceitar esse descaso de quem deveria trabalhar para mim?”. Quando paramos de aceitar e passamos a pensar que podemos fazer aquilo melhor, por que não fazê-lo? Está ao alcance de nossas mãos. Empresas como a Uber e Nubank não só demonstraram as porcarias que aceitávamos como também alavancaram milhares de empreendedores que estão surgindo e em breve vão substituir um sistema arrogante, mal educado e que nunca verdadeiramente se importou com o cliente.

Antigamente nós reclamávamos, nós não sentíamos ter opção, tudo que o mercado nos oferecia eram nomes diferentes para mesmos descasos. Hoje a mentalidade começa a mudar, hoje o péssimo atendimento faz pessoas pensarem: “eu poderia fazer isso melhor”.

O Brasil do futuro, com futuro, passa por uma transformação que nos leve da agônica impotência para a dada oportunidade. Pense nisso e na próxima vez ao invés de reclamar, questione-se: “será que eu não posso fazer melhor?”. Pois para cada péssimo serviço que temos no Brasil, há uma excelente oportunidade para alguém que faça melhor.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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