O que será do nosso futuro?

Por: Greice Scotton Locatelli | 22/06/2018 06:00:34

Você sabia que na Holanda existe um bairro especialmente construído para abrigar pessoas com doenças degenerativas, como Alzheimer e demência? A vila foi inaugurada em 2009 com o objetivo de ser um ambiente seguro, no qual as pessoas que sofrem com esses problemas podem circular de forma livre e viver suas vidas normalmente – por lá existem parques, restaurantes, bar, teatro e mercados, por exemplo. Com 23 casas, o projeto foi financiado pelo governo holandês em parceria com organizações locais e custou 19,3 milhões de euros. Hoje, atende mais de 150 idosos diagnosticados com enfermidades desse tipo. 

Embora haja todo um cuidado e uma adaptação estrutural, os funcionários se vestem com roupas casuais para eliminar qualquer aparência de clínica ou asilo. Com isso, muitos moradores os tratam como vizinhos e amigos.

Espero, sinceramente, que você nunca tenha tido a experiência de conviver com alguém que sofre de doenças desse tipo. Eu, infelizmente, estou tendo – uma pessoa da família do meu marido foi diagnosticada com Alzheimer há poucos meses – e posso afirmar com convicção que é uma das situações mais tristes que existem. 

As pessoas tentam resumir o Alzheimer a algo meramente associado à perda gradativa da memória, mas vai muito além. São crises de agressividade intensa e uma sequência interminável de noites em claro. A pessoa vai desaprendendo a conviver em sociedade, a comer, a falar, a controlar as funções do próprio corpo, sofre com alucinações e com episódios do passado e passa a precisar de monitoramento constante, pois pode ferir a si própria. Embora seja gradativa, a piora – no caso da nossa família – foi percebida em questão de dias, de forma muito rápida e intensa. De repente, a pessoa que sempre foi apaixonada por orquídeas passa a destruir vaso por vaso, por exemplo, não fala mais coisas que façam sentido e alterna momentos em que reconhece os familiares com aqueles em que não faz ideia de quem os filhos sejam. 

Isso, obviamente, interfere drasticamente na rotina e na qualidade de vida não só do paciente, mas de toda a família. E o pior é que não há prognóstico de melhora, pelo contrário: cada dia se torna mais grave e incontrolável. 

Não seria bacana que mais países pudessem ter locais como a vila holandesa?
Na última semana, no Hospital Tacchini, esse foi um dos assuntos abordados durante a apresentação de um procedimento realizado de forma inédita no Rio Grande do Sul. Sabe aquele exame chamado eletrocardiograma? É como ser submetido a ele, só que em tempo integral, durante a rotina normal – confira a reportagem completa.

Enquanto a direção do hospital e o médico demonstravam a evolução da tecnologia no monitoramento do ritmo cardíaco, era discutida a necessidade de encontrar alternativas para melhorar a qualidade de vida das pessoas, que tendem a viver cada vez mais justamente em razão dos avanços da medicina. 

O Dr. Leandro Zimmerman, cardiologista de Porto Alegre que escolheu o Tacchini para realizar a implantação do monitor cardíaco, contou que as doenças degenerativas são um dos maiores desafios hoje para a medicina. “Antigamente não se morria de câncer porque se morria de tuberculose aos 30 anos. Depois, as pessoas passaram a morrer de doenças cardíacas, aos 50. A medicina evoluiu e muitas mortes causadas por essas doenças foram evitadas. No futuro, infelizmente, os diagnósticos de doenças degenerativas tendem a ser muito mais comuns do que gostaríamos e, por enquanto, não há muito que se possa fazer”, comentou o médico, acrescentando que o número de pacientes “centenários” tem crescido muito nos consultórios. 

O próprio Tacchini já está fazendo planejamento para adaptar os atendimentos quando a pirâmide etária sofrer mudanças ocasionadas pelo envelhecimento da população. 

O que essa realidade representará só o tempo será capaz de dizer. 
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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