A felicidade e a virtude

Por: Padre Ezequiel Dal Pozzo | 07/02/2018 13:29:49

Será que a felicidade está mesmo ligada à virtude? Provavelmente que sim, mas como compreendemos a virtude hoje? A felicidade que consiste em viver a virtude, viver de acordo com a natureza, pode ser refletida. No século 21, em que estamos vivendo, temos uma ideia meio estranha, nós não estamos acostumados a unir a ideia de felicidade com a de virtude, a virtude parece ser uma coisa nos nossos tempos e a felicidade outra, por quê? A maioria de nós deseja ser feliz e não virtuoso. Para muitos de nós, a exigência de viver uma vida virtuosa entra em contradição com a busca da felicidade. Virtude nos lembra, de certa forma, de obrigações morais com outras pessoas, disciplina para conter os nossos desejos e outros tipos de limites para não falarmos até de repressões. Quando se fala “a pessoa tem que ser virtuosa” parece que tem que ter repressão, enquanto a ideia de felicidade nos remete à realização dos nossos desejos, à liberdade individual vivida em plenitude, ausência de limites, restrições e repressões. 

Para nós, o desejo natural da felicidade tem a ver mais com o desejo da realização. Parece que a felicidade, quando eu digo “desejo felicidade” significa eu fazer aquilo que eu desejo.  Será isso mesmo felicidade? Enquanto a palavra virtude pressupõe necessariamente boas relações, ou corretas com outras pessoas, ou viver segundo à natureza. Virtude significa isso, por isso aqui essa é a distinção. Para nós, a felicidade é uma questão individual, e mais do que uma busca, é uma obrigação. Só que há algo de estranho também nessa concepção. Se a felicidade é uma obrigação, no sentido que eu tenho que ser feliz, ela não é mais um desejo natural de todo o ser humano, pois o que é uma obrigação não é um desejo. É obrigatório “eu tenho que ser feliz”. Se nos sentimos quase que compelidos a sermos felizes, ou pelo menos mostrarmos que estamos felizes, a felicidade passou a ser um peso. 

Estamos mais preocupados em mostrarmos aos outros e a nós mesmos que somos ou estamos felizes do que em procurar viver uma vida realmente feliz. Então o que acontece aqui? O mais importante é a aparência, o que está à superfície da nossa vida, por isso hoje é quase que proibido dizer “estou triste”. Parece que não podemos ouvir essa frase. Se a pessoa diz que está deprimida, então a tristeza aqui é uma questão existencial, como a felicidade e alegria, enquanto que a depressão é uma questão médica, que se resolve com pílulas, com remédios, com receitas e assim por diante. Se a felicidade está unida à virtude, a felicidade também é empenho, é vida correta, é busca do bem, é busca da verdade, é fazer o melhor de cada dia...
Pense nisso!
 


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Padre Ezequiel Dal Pozzo

Padre Ezequiel Dal Pozzo

Sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS), padre Ezequiel é cantor e compositor e lidera o projeto "Despertai para o Amor", de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou seis CDs e um DVD e roda o Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações. Apresenta diariamente a reflexão "Despertai para o Amor" em mais de 250 rádios de 19 Estados do Brasil e o programa semanal "Despertai para o Amor" na TV Evangelizar e na TV Nazaré. É editor da Revista "Despertai para o Amor", de circulação trimestral, e autor do livro "Beber na fonte do amor: como a misericórdia humaniza e traz verdadeira alegria" (Edições Loyola).



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