Por que isso comigo? A doença questiona a fé!

Por: Padre Ezequiel Dal Pozzo | 20/07/2018 11:41:30

É comum ouvir de pessoas acometidas pela doença e sofrimento essa pergunta: por que isso comigo? Diante da doença levantam questões, que no fundo, desembocam em Deus. Querem compreender a causa de tal sofrimento, uma vez que sempre buscaram viver segundo a fé e agradar a Deus. No fundo, analisam a realidade a partir do princípio de que, quem tem Deus, não deveria adoecer. Esse pressuposto, no entanto, não está correto. Não é verdade que fazendo o bem, amando a Deus, buscando uma vida correta, garante ausência de sofrimento e de doenças. Por que isso comigo? Por que toda essa dor com nossa família? Eu não merecia isso. Essas perguntas e afirmações, partindo de um princípio distorcido, levam a conclusões erradas. Algumas conclusões terminam em distorções na própria imagem de Deus. Fala-se que Deus permite esse mal. Isso pode provocar ateísmo em alguns, pois questionam a onipotência de Deus, que poderia evitar essa doença ou sofrimento e não o fez. Outros, a partir da fé, aceitam a realidade compreendendo que, se Deus permitiu, é porque disso podem retirar uma lição, e esse é um sofrimento redentor.

Pois bem! Decorre disso então que a questão seria a falta de fé? Seria a fé a resposta para todas as perguntas e para essa suposta "permissão" de Deus? Não creio que se pode resolver o problema com uma resposta afirmativa. Certo é que para aquele que tem fé muitas perguntas e situações se acomodam e passam a ser aceitáveis. Porém, não podemos explicar a realidade somente a partir da fé. A compreensão da realidade, a linguagem que utilizamos, deve partir de uma base comum, que responda a todos. O problema deveria se resolver para aquele que crê e para aquele que não crê. A base explicativa deveria ser a mesma, uma vez que o sofrimento atinge a todos, crentes e não crentes. 

Diante disso, a compreensão para o problema da doença e do sofrimento deveria partir da própria existência da possibilidade da dor e não relacioná-la, de imediato, com Deus. A doença e o sofrimento podem acontecer a todos nós. Ou melhor, todos em algum momento, somos atingidos pelo sofrimento e pela doença. A possibilidade do sofrimento está enraizada em nossa finitude e nosso limite. Ninguém vivo, absolutamente ninguém, consegue se livrar dessa condição de finitude. E é exatamente isso que deixa sempre aberta a porta de possibilidade para o sofrimento e a doença. E essa dor pode entrar a qualquer hora, quando menos esperamos. O que a desencadeia são causas da própria natureza do ser humano e de sua interação com o ambiente. Não preciso dizer que Deus permite, não só porque isso é inadequado, mas também porque não há entre Deus e o sofrimento, nenhuma relação de causa e consequência. Deus não causou e nem permitiu que acontecesse tal mal. Em nenhum momento ele é causa e permissão do mal. 

Quando faço a pergunta "por que isso comigo?" devo, portanto, perceber que a dor entra em nossa vida porque somos criaturas finitas e que, embora estejamos sempre sob a proteção de Deus, a porta do sofrimento também está sempre aberta e ele poderá entrar. Essa entrada não significa que a proteção de Deus deixou de estar conosco e que não estamos mais sustentados pela sua graça. Deus que está sempre lutando contra o mal, mais ainda nessa hora, estará conosco nos ajudando a enfrentar essa dor. 


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Padre Ezequiel Dal Pozzo

Padre Ezequiel Dal Pozzo

Sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS), padre Ezequiel é cantor e compositor e lidera o projeto "Despertai para o Amor", de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou seis CDs e um DVD e roda o Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações. Apresenta diariamente a reflexão "Despertai para o Amor" em mais de 250 rádios de 19 Estados do Brasil e o programa semanal "Despertai para o Amor" na TV Evangelizar e na TV Nazaré. É editor da Revista "Despertai para o Amor", de circulação trimestral, e autor do livro "Beber na fonte do amor: como a misericórdia humaniza e traz verdadeira alegria" (Edições Loyola).



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