Menos baboseiras, por favor!

Por: Greice Scotton Locatelli | 08/03/2018 06:00:16

O WhatsApp alerta que há novas mensagens. Ao clicar, você descobre que aquele seu amigo fissurado em correntes on-line também acredita em unicórnios e zumbis. Ele repassa uma “notícia bombástica”: alguém comprou ovos de galinha no Rio de Janeiro e ao chegar em casa descobriu que eram de plástico e importados da China, onde empresas estão usando produtos químicos para fabricar o alimento e estamos consumindo polímeros sem saber. Uau. Quanta criatividade! Esse é só um exemplo que ilustra como as “fake News”, ou notícias falsas (em bom português), estão em todo lugar e fazendo muita gente de bobo.

Aí você abre a sua página no Facebook e percebe uma discussão acalorada entre dois amigos seus que torcem para times diferentes. A “corneta” passou dos limites e agora virou motivo de intriga, daquelas graves a ponto de desfazer uma amizade de anos.

O que esses dois assuntos têm em comum? Ambos são alvo de campanhas de sensibilização em nível nacional – se você assiste televisão, provavelmente já viu uma dessas propagandas.
Muito já se falou sobre as tais “Fake News”, mas aparentemente sem o sucesso esperado. Apesar das inúmeras mobilizações e apelos, uma maioria preocupante de usuários de redes sociais (como o Facebook) e aplicativos de trocas de mensagens (como o WhatsApp) segue repercutindo informações exageradas ou mentirosas sem o menor pudor – entre os quais o mocinho que acredita em unicórnios e zumbis. E em um mundo em que a informação está a um clique, mas a desinformação impera, quanto mais gente divulgando inverdades, pior.

A campanha intitulada “Fato ou Fake?” busca alertar os brasileiros sobre conteúdos duvidosos disseminados na internet ou pelo celular e contará com monitoramento diário de mensagens suspeitas. A mobilização é grande: participam da apuração equipes de alguns dos maiores veículos de comunicação do país: G1, O Globo, Extra, Época, Valor, CBN, GloboNews e TV Globo. O apelo principal? Verifique antes de compartilhar!

Parece simples, não? Ledo engano. Eu mesma – uma defensora ferrenha do não compartilhamento de bobagens – caí nessa há alguns dias. Recebi um vídeo de uma campanha da Polícia Militar de São Paulo em que a atriz Bruna Marquezine, então com 6 anos, falava sobre o suicídio do pai. Fiquei comovida com a mensagem “A vida não é só sua” e pensei que, por se tratar de uma iniciativa “oficial”, era verídica. Mas, para minha surpresa, não é. Quando ela conta que o pai foi trabalhar em outra cidade e os produtores dão a entender que ela não sabia da morte, foi uma encenação. O pai dela não cometeu suicídio. Embora a intenção tenha sido boa, acho que “enganar” o telespectador pode minimizar a credibilidade da iniciativa.

A outra campanha aborda a violência nos estádios. Embora por aqui, infelizmente, não tenhamos uma tradição futebolística do tipo que lota arquibancadas, muita gente gosta de futebol e torce fervorosamente para o seu time do coração. O problema é quando essa paixão ultrapassa os limites do respeito. No projeto, dezenas de pessoas que torcem por diferentes times são colocadas em um círculo e o apresentador começa a fazer perguntas que mostram que, apesar das diferenças, elas têm muito em comum. 

Tomara que ambas repercutam tão rapidamente quanto as baboseiras que recebemos todos os dias pela internet e que sensibilizem as pessoas que certos comportamentos não levam a nada. 

Por favor, pense antes de compartilhar algo!


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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