Camarote
29/07/2016 09:45:05, escrita por SERRANOSSA

Para bordar e debater o empoderamento da mulher

O Empoderamento Feminino é um termo que começou a ser visto com mais frequência nas notícias e nos programas de TV, mas ainda é um tabu no dia a dia. Para tratar de temas como libertação da pílula, métodos contraceptivos naturais, relações conflituosas – familiares e amorosas – , coletor menstrual, veganismo, descriminalização do aborto, consumo sustentável e consciente, privilégios e preconceitos, entre outras pautas políticas e feministas, a jornalista Bruna Antunes, de 31 anos, encontrou uma forma artística e divertida para debater esses assuntos: o bordado.

Nos próximos dois sábados, dias 30 de julho e 6 de agosto, pela primeira vez fora da cidade de  Porto Alegre, ocorre o curso “Bordado Empoderado”, no Ricordare – Lo Spazio della Felicità, em Bento. A ideia é reunir um grupo, especialmente formado por mulheres, para aprender a delicadeza de bordar explorando a luta pela igualdade entre os gêneros e a afirmação da autoestima. Além de fundadora do curso, Bruna também é idealizadora do coletivo Nectarina Bordados Subversivos, projeto que comercializa as peças produzidas nos cursos, e que ministrará as aulas na cidade. Confira a entrevista.

SERRANOSSA – Como funciona o Bordado Empoderado e quem pode participar? 
Bruna Antunes – O curso tem quatro módulos básicos, separados entre duas técnicas: bordado livre e ponto cruz. Todas as pessoas podem participar, mas a prioridade é convidar mulheres. Os homens que se inscrevem para fazer o curso recebem uma orientação antes das aulas sobre privilégios, lugar de fala e principalmente sobre protagonismo – que nas aulas é 100% delas. Cada módulo tem duração de 4h. A inscrição custa R$ 45 cada módulo e nesse valor está incluso o material que será utilizado na aula. As alunas saem de cada módulo com um quadrinho que elas mesmas bordaram.

SN – É fácil aprender a técnica?
Bruna – Algumas alunas – que nunca tiveram contato com artesanato e trabalhos manuais – às vezes reclamam da dificuldade das técnicas. Mas, em geral, todas conseguem executar os pontos propostos nos módulos de iniciantes. Eu costumo dizer nas aulas que a curva de aprendizado do bordado é muito mais generosa (suave) do que a curva de aprendizado da pintura, por exemplo. 

SN – Como é o processo de criação de vocês?
Bruna – O processo de criação envolve uma lista de palavras/frases – que foi criada para o curso e aprimorada com as turmas que rolaram de janeiro até agora. Também são trazidos gráficos e desenhos de empoderamento – o punho feminista, por exemplo. As alunas escolhem o que querem bordar, sem nenhum tipo de obrigatoriedade. Em cima dessas escolhas, bordamos durante as 4 horas de curso, eu passo as instruções dos pontos, técnicas e arremates e eu resolvo as dúvidas que forem surgindo.  

SN – O objetivo do encontro é falar sobre o empoderamento da mulher, tema tão relevante e atual, ou propriamente ensinar a técnica?
Bruna – As duas coisas são importantes no curso. Cada turma tem uma prioridade e eu respeito o ritmo delas. É necessário entrosamento, cumplicidade e confiança para que os assuntos mais complexos sejam tratados. Em algumas turmas acontece da técnica prevalecer e, em outras, acaba rolando muita conversa, relatos, desabafos e até surgem amizades. Eu acredito que esse tipo de conversa precisa fluir naturalmente – e como as mulheres que procuram o meu curso normalmente já são familiarizadas com as temáticas do feminismo acaba se tornando um ambiente propício para esses assuntos.

SN – Como tem sido tratar dessa questão de forma tão pública e tão artística?
Bruna – Tem sido gratificante e intenso. Conheci mulheres incríveis, reforcei laços antigos de amizade, fiz novas e tenho convivido cada vez mais com mulheres maravilhosas. A produção de bordados, junto com o coletivo Nectarina Bordados Subversivos – que formei junto com seis alunas do curso – tem sido bem-aceita nas feiras e eventos dos quais participamos. O curso também é bem recebido e as alunas tem muito carinho pelo tempo que passamos juntas, pelo aprendizado, pelas conversas e, claro, pelos bordados. 



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