Camarote
08/02/2017 19:02:10

Para Selton Mello, Serra Gaúcha é um personagem de "O Filme da Minha Vida"

As belas paisagens da Serra Gaúcha, que encantam milhões de turistas anualmente, voltarão a estar em evidência a partir desta quinta-feira, 3 de agosto, com o lançamento nacional de “O Filme da Minha Vida”. Bento Gonçalves – uma das sete cidades escolhidas como cenário do longa – teve pré-estreia nesta quarta, 2, com direito à presença do diretor e ator Selton Mello, que esteve no município acompanhado da equipe de produção e também de seus pais, Selma e Danton. Antes de prestigiar as duas sessões realizadas no Movie Arte Cinemas do Shopping Bento, Selton participou de um passeio de Maria Fumaça no vagão 215, reformado especialmente para as gravações e que permanecerá com as melhorias para receber turistas.

A história foi inspirada no livro “Um pai de cinema”, de Antônio Skármeta. “Se eu fosse escrever um livro, gostaria de escrever um como esse que o Skármeta escreveu. Gosto desse protagonista, me identifico como se fosse um irmão mais novo. Me vejo nele, e por isso me encantou toda a história”, resume. O enredo foi adaptado – o original se passava na serra chilena na década de 50 – e ganhou outros personagens, como o maquinista, criado especialmente para Rolando Boldrin. “Mais do que uma adaptação é uma resposta emocional a que o livro me causou. Esse sentimento eu pus no roteiro e na filmagem, junto com toda a minha equipe” esclarece.

“O Filme de Minha Vida” é a história de um jovem virando adulto nos anos 60, com todos os dilemas vivenciados nesta época. “Os primeiros amores, as dúvidas, o que vai ser quando crescer. E no caso do protagonista, também, cadê o meu pai”, detalha, dizendo que ao longo do filme ele junta o quebra-cabeça de sua vida e se tornar o protagonista do próprio filme.

Selton já tinha um carinho com a Serra Gaúcha, mas conhecia apenas o lado de Gramado por conta dos Festivais de Cinema. “Quando eu li esse livro, disse: chegou a minha chance de filmar algo na Serra Gaúcha”, conta. Ao conversar com o produtor Glauco Urbim, que tem a missão de encontrar locações, ele lhe disse que o que ele buscava não estaria na região de Gramado, mas de Bento Gonçalves. “Aqui tem a arquitetura, cosias mais antigas preservadas, o trem”, explica.  

O filme se passa nas cidades fictícias de Remanso e Fronteira, que foram construídas a partir de imagens de Bento Gonçalves, Cotiporã, Farroupilha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Santa Tereza e Veranópolis. “Foi lindo passar um tempo aqui. Vocês realmente moram num lugar abençoado”, avalia. Mais do que cenário, para o diretor a Serra é um personagem, que com sua a beleza e iluminação ajudou a contar a história.

Ao justificar a beleza das imagens do filme, Selton diz se tratar de uma mistura de achar os lugares certos com a grande direção de arte, que agiu sobre os lugares e os deixou adequados a história que estava sendo contada – a exemplo do vagão da Maria Fumaça. “O filme ficou lindo de verdade”, garante.

Mais de 500 figurantes estiveram envolvidos nas gravações, com direito a grandes descobertas, como a do garoto bento-gonçalvense Gabriel Reginato, que interpreta o protagonista na infância.

Incremento ao turismo

Antes da estreia do filme nos cinemas de todo o país, a equipe percorreu diversas regiões brasileiras divulgando o longa. “As pessoas ficam encantadas com os lugares do filme. Vai dar uma animada no turismo”, projeta, comentando que os americanos sabem explorar roteiros cinematográficos, algo que o Brasil faz pouco. “Eu vivo falando por aí que o Sul é muito pouco filmado, a gente filma muito o Rio de Janeiro, favela, samba, mas pouquíssimo o Sul. Eu estou muito feliz de ter o meu olhar sobre o Rio grande do Sul, não sendo daqui, sendo um cara que gosta muito daqui”, estima.

 



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