Economia
16/03/2015 17:31:02, escrita por SERRANOSSA

Críticas aos governos marcam abertura da Fimma

Sem a presença do governador do Estado, José Ivo Sartori, foi aberta oficialmente na tarde desta segunda-feira, dia 16, a Feira Internacional de Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira – Fimma Brasil 2015, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves. Mas não faltaram lideranças políticas do Estado e do país no evento. Além de nomes conhecidos da região, como Alexandre Postal, hoje líder do governo Sartori, e Gilmar Sossela, deputado estadual, também se fizeram presentes o deputado federal e ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, a senadora Ana Amélia Lemos, e a primeira-dama do Rio Grande do Sul, Maria Helena Sartori. Todos tiveram que ouvir as duras críticas e reivindicações do presidente da Movergs, entidade promotora da Fimma, Ivo Cansan.

 Qualificação profissional

O líder do setor moveleiro iniciou sua reivindicação dizendo que é urgente o investimento na promoção do conhecimento e a necessidade de oferecer educação mais qualificada ao trabalhador. “Hoje, quando um profissional chega ao mercado, não tem as mínimas condições de exercer uma função produtiva. Isso obriga o empregador a investir em um processo longo, que começa com o aprendizado básico e segue até chegar na qualificação para a função desejada”, destacou. “Se as políticas públicas não atentarem para esse gargalo, corremos o risco de não conseguir mão de obra apta a produzir dentro das indústrias”, alertou.

 Políticas de consumo

Embora o setor moveleiro tenha, em sua essência, o compromisso de assumir uma postura pró-ativa diante dos obstáculos, com investimentos e soluções para as principais necessidades, Cansan ponderou que é preciso apoio dos governantes para continuar gerando riqueza e contribuindo com o crescimento do país. “Temos reiterado ano após ano a importância de implantar alternativas e formas eficazes para as indústrias investirem, com garantia de retorno. Precisamos de políticas mais duradouras para o consumo, que estimulem a geração real de renda, aumentando o poder de compra das pessoas. E não de políticas mal planejadas que apenas fazem com que o consumidor passe por picos de compra, assuma dívidas e, logo em seguida gere uma onda de estagnação pela falta de crédito e pela perda de poder de compra, corroída pela alta taxa inflacionária, que tanto onera os consumidores e trabalhadores”, destacou, afirmando que a diminuição da carga tributária no setor industrial deve ser implantada por ser “uma questão de sobrevivência”.

 Exportação

Para Cansan, também são necessárias políticas exportadoras sólidas e adequadas a longo prazo, com regras claras que permitam competir globalmente. “Isso permitirá que os exportadores tenham a segurança para iniciar um processo de busca por novos mercados, com a certeza de continuidade das regras do jogo, gerando confiança aos importadores”, salientou ele, apostando também na necessidade de garantir alternativas para desonerar a cadeia de insumos. “Sem a desoneração dos produtos industrializados continuaremos sem poder de competição global. Exportar os tributos, as benesses sociais e os encargos do alto custo Brasil, de forma embutida nos produtos, torna praticamente inviável a sobrevivência dos negócios. Jamais conseguiremos ganhar espaço no contexto global, por maior esforço que as indústrias façam”, desabafou.

 Infraestrutura

Os gargalos do sistema produtivo também foram citados no discurso. “Hoje, são pontos críticos a infraestrutura portuária, aeroviária, logística e a estrutura de abastecimento, principalmente de energia. Pior do que não ter demanda para nossas indústrias é ter a dúvida de quando nossas indústrias irão parar por falta de energia. Ou quando terão que reduzir sua produção para fugir das altas tarifas impostas, geradas pela ineficiência dos administradores e pelo governo”, falou.

 Estradas

Ivo Cansan também lembrou da precariedade do sistema aéreo, e, principalmente, terrestre. “Quando precisamos deslocar os visitantes para outras localidades, enfrentamos o risco de nossas estradas em precárias condições de sinalização e trafegabilidade, colocando em risco vidas”, afirmou.

 Hotéis caros

O presidente da Movergs também aproveitou a oportunidade e a presença de secretários municipais e empresários, para criticar o alto valor das hospedagens quando há eventos na cidade. “A dificuldade de hospedagem em Bento continua sendo um fator grave para nossos visitantes: faltam leitos e aqueles existentes têm um custo elevadíssimo quando comparamos com todos os locais do mundo onde se realizam eventos deste porte”, garantiu. “Identificar nossas fraquezas é o primeiro passo para consertá-las. Ao apontá-las, queremos mobilizar o Poder Público, a iniciativa privada e a comunidade para que todos façam sua parte em prol do saneamento das dificuldades, criando um engajamento saudável que vai trazer retorno positivo a todos nós”, ponderou.

 Primeira-dama afirma que gargalos serão enfrentados

Como resposta às reivindicações, a primeira-dama do Estado, Maria Helena Sartori, afirmou que o governador tem “um carinho e uma atenção especial à Serra”, parabenizou os organizadores pela oportunidade de oferecer novidades e fomentar negócios, através da Fimma, mas mostrou que o governo está trabalhando para enfrentar gargalos que já existiam há décadas. “Nós precisamos fazer o equílibro das contas públicas, para aí sim ousar, evoluir e inovar. O Rio Grande vive um momento de encontro do estado em que somos e o que queremos ser”, afirmou em discurso de três minutos.

 A 12ª edição da Fimma Brasil segue até sexta-feira, dia 20, das 10h às 18h, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves. A feira reúne mais de 600 expositores do Brasil e de outros 40 países e a projeta superar a marca de 300 milhões de dólares em negócios.

 

Reportagem: Raquel Konrad

 

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