Esporte
23/08/2017 18:51:54, escrita por SERRANOSSA

“O clube chegou no seu limite”, diz presidente do Bento Vôlei

A decisão do Bento Vôlei de desistir da participação na Superliga 2017/2018 foi classificada como amarga pelo presidente Romildo Rizzi. “O clube chegou no seu limite”, lamentou durante entrevista coletiva concedida na tarde desta quarta-feira, 23. O anúncio, oficializado ainda no dia anterior, teve como principal responsável o fato de não ter atingido o montante mínimo estipulado para a captação de patrocínio – entre R$ 600 e R$ 800 mil - que viabilizasse a participação na principal competição nacional. “Faltou R$ 200 mil”, estima o diretor executivo do Bento Vôlei, Rafael Fantin, o Dentinho. O fechamento do Pró-Esporte e a falta de repasses da prefeitura estão entre os fatores que mais influenciaram. O clube tinha conseguido até o momento a confirmação do apoio de Isabela/Grupo M.Dias Branco e Rede de Hotéis Dall’Onder e uma parceria com o Minas Tênis Clube para a cedência de atletas.

A diretoria optou por não correr o risco de precisar correr atrás de apoiadores no decorrer dos jogos. "Ou tínhamos garantia ou não iríamos participar. Ter que dar um ou dois passos atrás gera um custo muito grande, financeiro e emocional, mas temos que ser racionais", pondera o presidente. A oficialização da decisão, segundo ele, ocorreu no prazo limite estipulado pela Confederação Brasileira de Vôlei para que não houvesse penalização do clube. A vaga dos bento-gonçalvenses será assumida pela equipe da cidade de Castro, no Paraná.

Para o diretor executivo, o clube deve repensar a forma de captar patrocínios, firmando contratos para pelo menos duas temporadas. Ele lamenta a forma como o esporte é tratado, não apenas em Bento Gonçalves, mas em todo o país. "As entidades estão morrendo aos poucos, as federações engordando e os clubes diminuindo", observa.

Durante a coletiva a diretoria procurou não problematizar a situação e nem apontar culpados para o destino do time. Entretanto, frisou que, há cinco anos, a volta à elite nacional teve forte apoio do poder público. "A gente anda na rua e percebe que tem déficit em todas as áreas. Seria muita pretensão nossa dizer que é culpa do poder público, mas sabemos que o esporte pode contribuir. Não é uma entidade que só pede. É uma entidade que gera recursos e que nos últimos anos trouxe mais de R$ 5 milhões em retorno para a cidade”, aponta Dentinho, destacando que praticamente não existem entidades esportivas que se mantenham no país somente com investimentos da iniciativa privada.

Outro fato apontado pela direção é o uso de critérios políticos e não técnicos para a destinação de patrocínios ao esporte no Estado. "Talvez a mágoa seja um pouquinho por isso, por não conseguir ver tudo o que o Bento Vôlei está trazendo para o município. Tirando o alto rendimento, se tira o espelho para a base", destaca o vice-presidente Ricardo De Gasperi.

O Bento Vôlei, atrás do Minas Tênis Clube, é o segundo time brasileiro com maior número de participações na Superliga e a equipe com maior formação de jogadores per capita do Brasil.  Agora, o foco volta-se para o planejamento dos próximos anos. O futuro do alto rendimento ainda é incerto, mas as categorias de base serão mantidas – cerca de 750 crianças e adolescentes estão envolvidos. Na tarde desta quarta, a diretoria participou de reunião com Governo do Estado, que garantiu a reabertura do Pró-Esporte, entretanto, sem data definida. O programa viabilizava custo do clube com estadia, alimentação e deslocamentos. A vontade de jogar a Superliga B na próxima temporada existe, mas há a incerteza a respeito da captação de patrocínios.



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