Esporte
08/03/2018 08:27:47, escrita por Carina Furlanetto

Vida de quem sonha em ser atleta profissional quando crescer

Uma vida cheia de glórias, mas também de sacrifícios, suor e dedicação. Assim pode ser descrita a rotina de quem tem o esporte como profissão. Para chegar ao topo, a escalada costuma iniciar ainda na infância, quando o sonho de ser atleta profissional começa a ser cultivado. É o caso de Pietra Rivoli, Lorenzo Vignatti e João Vitor Trombini, que, apesar da pouca idade, já estão lutando diariamente para quem sabe um dia pode viver da paixão pelo esporte. 

Foi o esporte que uniu os amigos Lorenzo Vignatti, de 14 anos, e João Vitor Trombini, de 15. Em comum, os dois têm a posição – atuam como volantes – e o sonho de ser jogador de futebol e já começam a ver o resultado da dedicação aos treinos. No final de maio, ambos foram convocados – junto com o colega de equipe Vitório Augusto Poletto Ostrzyzeck – para integrar o time do Cruzeiro, de Porto Alegre, no torneio Barcelona Football Festival, disputado na Espanha, e ficaram com o vice-campeonato em suas respectivas categorias (2004 e 2003). 

Além do contato com uma cultura diferente, os garotos aproveitaram a oportunidade para a troca de experiências também no esporte. “Pude notar que ser jogador em outros países é mais fácil que no Brasil, onde todo mundo quer ser jogador porque é o país do futebol”, comenta João Vitor. O alto nível dos times adversários também chamou atenção. “Eles tocam muito a bola, têm muita força, bem mais do que o futebol brasileiro, que é mais ousado”, acrescenta. “A Inglaterra tem um futebol mais forte, mais ‘raçudo’, já a França cadencia mais a bola”, compara Lorenzo. 

Os dois estudam na Escola Vânia Medeiros Mincarone – Lorenzo no 8º ano e João Vitor, no 9º – e comentam que muitas das amizades que mantêm foram feitas graças ao esporte.  Entre os ídolos, os garotos têm em comum a admiração pelo brasileiro Casemiro e pelo francês Kanté. João Vitor também gosta do estilo de jogo de Arthur, ex-Grêmio (hoje no Barcelona), e Lorenzo ainda é fã do croata Luka Modrić e do alemão Toni Kroos, além do brasileiro Kaká e do holandês Ruud Gullit (já aposentados dos gramados). Assistir aos diferentes campeonatos – seja no Brasil ou no exterior – faz parte da rotina e ajuda a observar as diferenças táticas e as melhores jogadas. 

João Vitor iniciou no esporte aos seis anos, no Flamengo, de São Valentim. Já passou pelo Juventude, de Caxias do Sul, e pela AABG, de Bento Gonçalves, e atualmente está nas categorias de base do Esportivo. Antes das férias escolares, treinava com a sub-15, mas recentemente foi promovido para a sub-17, que disputa o Campeonato Gaúcho.  

O segredo para se destacar em meio a tantos garotos com o mesmo sonho, segundo ele, é treinar bastante. “Jogador tem que batalhar. Todo o dia tem que ser melhor do que o dia anterior, nem que seja um pouquinho”, observa. Ele está ciente dos sacrifícios necessários para chegar à profissionalização, mas está disposto a enfrentá-los e garante ter apoio total dos pais. Entre as motivações para seguir em busca do sonho está o desejo de ajudar não apenas a família, mas praticar boas ações. “Se eu for jogador e ganhar bem, pretendo ajudar o próximo”, comenta. 

Influência do pai desde pequeno

Lorenzo começou a jogar aos seis anos de idade por influência do pai, Nei, que o levava para assistir aos jogos do Esportivo – ele tem várias lembranças entrando em campo de mãos dadas com os jogadores. Ele iniciou na modalidade na escolinha do clube bento-gonçalvense, onde ainda permanece. Atualmente, joga na categoria sub-14 e treina três vezes por semana.  No ano passado, teve a oportunidade de, durante uma semana, treinar com o Internacional, ficando alojado no Centro de Treinamento em Alvorada, inclusive. O convite surgiu após um olheiro se interessar por seu desempenho durante um amistoso contra o Grêmio. Atualmente, ele treina três vezes por semana e o garoto pretende seguir com a rotina, sempre de olho na oportunidade de novos testes em outros clubes. Ele já sabe que o seu futuro será no esporte: se não for como jogador, pensa em cursar Educação Física. “O futebol proporciona muitas experiências diferentes. Talvez se eu jogasse vôlei, por exemplo, não teria viajado para a Espanha”, diz.

A paixão pela competição já faz parte da família Vignatti. Recentemente, a irmã de Lorenzo, Laura, de 10 anos, iniciou a prática do jiu-jítsu pela Garra Team. Já foi vice-campeã na primeira e única competição que disputou e se prepara para poder representar a equipe no futuro em competições em São Paulo e nos Estados Unidos. 

Uma paixão imediata

Pietra Rivoli tem apenas 10 anos, mas já sabe o que sonha para o seu futuro: quer ser jogadora profissional de tênis. “Quando jogo, parece uma paixão”, garante. 

Ela explica que é a única tenista competitiva de alto rendimento do município e pratica a modalidade desde os quatro anos, quando começou as aulas no Clube de Caça e Pesca Santo Huberto, em Garibaldi. Os pais queriam que ela praticasse algum esporte e ela se encantou com a modalidade. 

Aos nove, Pietra começou a competir e, desde então, acumula resultados expressivos. No ano passado, foi campeã Gaúcha e da Etapa RS do Circuito Nacional 9 anos. Neste ano, das três etapas do Circuito Gaúcho disputadas até agora, chegou a todas as finais e venceu duas. Também foi semifinalista de Simples e finalista de Duplas do Banana Bowl – um dos maiores torneios infantojuvenis do continente. Em julho, a menina ainda teve ótima participação no Campeonato Brasileiro em Uberlândia-MG, chegando às quartas de final de Simples e à Semifinal de dupla. Em outubro, Pietra disputará a Copa Guga, em Florianópolis (SC), mais uma vez com o objetivo de estar entre as finalistas.

Atualmente ela é treinada pelo seu pai, o ex-jogador de voleibol Rodrigo Rivoli. Embora os esportes sejam bastante diferentes, a rotina dos atletas tem muitas semelhanças. “Estou ciente do que vou ter que passar e abrir mão. Mas eu quero isso, quero alcançar um objetivo”, pondera. 

Hoje Pietra treina quatro vezes por semana, intensificando a rotina com um treino extra no período que antecede alguma competição. Em breve, o trabalho feito pelo pai deve ganhar o complemento da experiente Sabrina Giusto, técnica da equipe do Recreio da Juventude de Caxias do Sul. O clube viu potencial na atleta e vem tentando levá-la para fazer parte de sua equipe.

O apoio que recebe em casa é fundamental, assim como o incentivo por parte dos amigos. Parentes que residem em outros Estados também costumam sempre que possível acompanhar as competições. 

Ela lamenta apenas que o esporte ainda não seja tão conhecido. Seus ídolos são o espanhol Rafael Nadal, sobretudo pelo domínio da mente, e a norte-americana Serena Willians, especialmente pela determinação. Segundo ela, os pais estão a todo momento tentando preparar a sua mente para encarar o que vier. “Meu pai sempre diz: ou ganha ou aprende”, comenta. Ela concilia a rotina de treinos com os estudos – está no 5º ano no Colégio Sagrado Coração de Jesus – e garante tirar boas notas. “Tudo é importante. O estudo traz vários conhecimentos”, comenta. 
Sempre que pode, seja antes de ir para escola, no horário do almoço ou antes de dormir, ela procura acompanhar o calendário mundial das competições e confessa que fica triste no final do ano, quando não há disputa de torneios. “Respiro tênis 24 horas por dia”, afirma.
 



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