Geral
01/12/2018 08:28:23, escrita por Carina Furlanetto

Conscientização que gera renda

Pequenas iniciativas podem ter um grande impacto. A mobilização para conscientizar os moradores quanto à separação correta dos resíduos recicláveis no Residencial Don Inácio 1, no bairro Aparecida, é um bom exemplo disso. O trabalho iniciou depois de serem notificados pela prefeitura e pela RN Freitas (empresa responsável pela coleta dos resíduos em Bento Gonçalves) devido ao descarte incorreto do lixo. Em setembro do ano passado, o condomínio adotou uma alternativa simples e que está dando bons resultados: vender os resíduos produzidos pelas 300 famílias. 

Em quatro meses, mais de R$ 1 mil já foram arrecadados – a estimativa é que em um ano o lucro com a venda do lixo chegue entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil. O valor deverá ser investido em melhorias para os condôminos – a instalação de um playground e de um bosque estão nos planos –, reduzindo os valores das chamadas extras. Mais do que apenas comemorar os bons resultados, os moradores querem servir de inspiração. “A ideia é dar o exemplo para que outros condomínios da cidade façam o mesmo”, comenta o síndico, André Luiz Vasques.

Ele explica que a ideia surgiu em parceria com a empresa administradora do condomínio. A inspiração veio de ações semelhantes desenvolvidas em residenciais de grandes capitais. “O impacto foi muito maior do que a gente imaginava, não só econômico, mas também social e ambiental”, garante. 

O maior problema era a mistura de materiais em uma mesma sacola, como papel higiênico usado e resíduos recicláveis. Isso aumentava o tempo de coleta, pois os coletores – tanto do orgânico como do reciclável – precisavam selecionar o que poderia ser recolhido. “Já chegou a acontecer de o caminhão ficar uma hora e meia para fazer a coleta nas antigas lixeiras. Com a mudança, eles levam apenas 10 minutos”, compara.  

Antes, os contêineres para lixo seco e orgânico ficavam do lado de fora do prédio. Para a proposta dar certo, foram instalados do lado de fora novos coletores para o lixo orgânico, feitos de tubos de pasta de dente reciclados. Para o descarte correto do lixo seco, foi criado um espaço dentro do residencial. Há lixeiras individuais para garrafas pet, latinhas, papelão, embalagens Tetra Pack e poliuretano de alta densidade – plásticos mais rígidos como os de produtos de limpeza. Apenas para o papel o condomínio ainda não encontrou uma empresa parceira para a venda. Desta forma, segundo o síndico, também se evita a mistura do lixo feita por catadores que procuram materiais nas lixeiras das ruas. 

Vasques explica que o trabalho de conscientização foi gradativo. Ele utilizou os conhecimentos que tem adquirido na faculdade de Publicidade e Propaganda para criar panfletos. Além disso, as divulgações também foram ampliadas para o WhatsApp – cada bloco tem um grupo específico para a troca de mensagens –, para a página do residencial no Facebook e para o canal no Youtube. Aos poucos foi criada a cultura de separar corretamente o material, envolvendo também as crianças. Ele estima que hoje mais de 90% dos moradores já façam a separação. “Sem a participação de todos, não teria dado certo. O condomínio é uma família”, conclui. 


 

Esta é a 59ª reportagem da Série “Vida de...”, uma das ações de comemoração aos 10 anos do SERRANOSSA e que tem como objetivo contar histórias de pessoas comuns, mostrando suas alegrias, dificuldades, desafios e superações e, através de seus relatos, incentivar o respeito. 



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