Geral
06/08/2018 07:00:39, escrita por Greice Scotton Locatelli

Série especial Vida de...: Elas apostaram na franquia para ter o próprio negócio

Duas histórias que se cruzaram e que foram além da amizade: viraram sociedade de sucesso. Gabriela Bordignon e Edinéia Giotto são sócias de uma das franquias do CNA Inglês Definitivo de Bento Gonçalves. Elas apostaram no “franchising” – termo em inglês que define um sistema de venda de licença na qual o  detentor de uma marca cede a outro o direito de uso de sua patente, infraestrutura e conhecimento – e hoje comemoram a parceria e o reconhecimento.

 

Gabriela Bordignon 


Gabriela tem mais de 20 anos de sala de aula e acumula experiência de gerenciar duas escolas – o CNA do bairro Cidade Alta, em sociedade com o marido, Fabrício Guedes, e o do bairro São Roque, do qual Edinéia é sócia. A rotina é puxada: além da administração das franquias e de aulas em diversos turnos, incluindo noites e sábados pela manhã, Gabriela também é mãe de Natália, de 10 anos, e Martina, de 4. Mas o dia a dia já foi bem mais intenso. “Cheguei a lecionar em quatro escolas simultâneas, as duas de Bento, uma em Carlos Barbosa e uma em Salvador do Sul. Mas depois do nascimento da minha primeira filha, optei por vender duas delas para conseguir me dedicar também à família”, conta Gabriela. 

A ideia de ter uma escola de idiomas própria era um sonho antigo. Gabriela era funcionária de uma escola franqueada – posteriormente vendida nacionalmente para outra rede – e conhecia as vantagens do sistema. “Eu sempre gostei muito de lidar com pessoas, de cuidar delas, e sou uma apaixonada pela sala de aula. Queria ter a minha própria escola para fazer coisas diferentes, que deixassem os alunos motivados e felizes. A ideia da franquia trouxe a segurança necessária e não impediu que eu colocasse em prática ideias exclusivas”, explica Gabriela, citando como exemplo a área de lazer que está sendo construída no pátio da unidade do Cidade Alta. Entre as vantagens de ser franqueada, ela cita a atualização constante dos materiais utilizados nas aulas. “Tudo é elaborado por especialistas em ensino de idiomas para brasileiros – e isso faz muita diferença. Também aplicamos duas vezes por ano, sem nenhum custo para o aluno, o certificado de proficiência Cambridge English: First (FCE), um teste que comprova a capacidade linguística do aluno para trabalhar e estudar no exterior”, detalha. Além disso, o franqueado também conta com apoio e suporte pedagógico e comercial, consultoria especializada e toda a estrutura.

 

Edinéia Giotto

 

De aluna a sócia

Edinéia começou como aluna, ainda adolescente. Concluiu os estudos e, influenciada pela paixão pelo idioma, decidiu cursar Letras – Inglês. No último semestre da faculdade, foi convidada a lecionar, inicialmente para crianças no CNA São Roque. Há dois anos e meio, a antiga sócia de Gabriela precisou mudar de cidade e Edinéia foi convidada a assumir o desafio. “Eu estava de viagem marcada para Dublin, onde iria fazer intercâmbio e passar uns meses com a minha irmã. Ela acabou indo sozinha na época e eu fui mais tarde”, conta. Hoje ela é professora em 11 turmas, nos três turnos – uma, inclusive, é dedicada somente a mães. 

Claro que, como em toda decisão importante, surgiram dúvidas. “Eu já conhecia o CNA sendo aluna, mas tinha minhas inseguranças porque era jovem e não tinha certeza se seria capaz de assumir tanta responsabilidade. Hoje sei que foi uma decisão muito acertada e que se tivesse que optar por um caminho, apostaria novamente na franquia”, garante.

 

ENTREVISTA: Décio Pecin Júnior, presidente do CNA

 


 

O presidente do CNA e da Comissão de Ética da Associação Brasileira de Franchising, Décio Pecin Júnior, esteve recentemente em Bento Gonçalves. Em entrevista ao SERRANOSSA, ele falou sobre o mercado de franquias em geral, a trajetória do CNA, os desafios recentes e da projeção de expansão da rede de franqueados.

SERRANOSSA – Como está o mercado de franquias?
Décio Pecin Júnior – Segue crescendo. Apesar de não ser tanto quanto se achava em 2017, acreditamos em um crescimento de 8%. Até o final do ano esperamos uma retomada melhor, entretanto, deve-se levar em consideração que será um ano atípico, com Copa do Mundo e eleições, que causam distração ao consumidor final. 

SN – Por que é vantajoso apostar em franquias?
Pecin – É importante salientar que todo negócio tem um risco, mesmo uma franquia. A vantagem é que o risco da franquia pode ser positivo, já que é um caminho que outros já trilharam. Abrir um negócio não pode ser uma aventura, é preciso estudo e conhecimento e a franquia agrega essa vantagem. Além disso, citando o exemplo do CNA, o franqueado recebe treinamento, consultoria desde a escolha do local de instalação até para questões comerciais, publicidade e visibilidade nacional, material didático com atualização constante, entre muitas outras vantagens que fortalecem a marca e trazem benefícios para toda a rede. Isso não acontece com um empresário que resolve empreender sozinho. As taxas de sucesso de uma franquia são muito maiores do que as de negócios independentes, que não contam com esse suporte. No caso específico do CNA, temos 479 empresários que abriram 580 escolas em 31 anos, o que dá uma segurança para quem está entrando no negócio. 

SN – Por onde começar?
Pecin – O primeiro passo é escolher uma marca de excelência – para se ter uma ideia, de 2.845 franqueadores que existem no Brasil, hoje, somente 218 foram reconhecidos com o Selo de Excelência da Associação Brasileira de Franchising –, em um setor com o qual tenha afinidade. É preciso se identificar com o segmento e ter em mente que não dá para colocar a questão financeira antes da felicidade. Ter cuidado com os negócios “da moda” é outra dica importante. Depois de escolhido o tipo, é importantíssimo dedicar um tempo para uma análise minuciosa da Circular de Oferta de Franquia (COF). Todo franqueador deve entregar no mínimo dez dias antes para que o franqueado possa analisar. O documento deve conter informações comerciais, financeiras e jurídicas, inclusive com relação de franqueados ativos e ex-franqueados desligados nos últimos 12 meses. Se considerar necessário, a pessoa pode contratar um advogado para ajudá-la nessa parte. Outra dica é entrar em contato com franqueados atuais para esclarecer dúvidas. 

SN – A necessidade de um segundo idioma é algo que vem sendo repercutido há bastante tempo. Como se manter em um mercado cuja necessidade não é nova?
Pecin – Criando diferenciais. Não precisamos mais vender a necessidade, isso já está comprovado e se torna natural com a tecnologia. A chave está não em vender um curso de inglês, mas uma mudança de vida. Uma pesquisa do CNA revelou que inglês seria relevante para 19% da população brasileira, mas que somente 2% são fluentes. Só que 8% desses 19% dizem que já estudaram em algum momento e querem voltar nos próximos 12 meses. Isso é quatro vezes o mercado atual e temos que nos preparar para esse aumento da demanda. 

SN – Qual o segredo para uma empresa se manter sustentável?
Pecin – É preciso levar em conta que vai passar por transformações constantes, temer a estagnação. As pessoas são diferentes, mas têm em comum o fato de serem consumidores. E o consumidor muda o tempo todo porque a maneira como ele consome muda. E saber acompanhar essa mudança é um dos segredos para uma empresa se manter sustentável.

 

 

Esta é a 80ª reportagem da Série “Vida de...”, uma das ações de comemoração aos 10 anos do SERRANOSSA e que tem como objetivo incentivar o respeito. 



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