Adolescente que matou policial gaúcho pede indenização de R$ 68 mil por “abalo físico e psicológico”
Fim da picada: Adolescente que matou policial em Butiá, no início de 2025, processa o Estado e pede R$ 68 mil por “danos morais”

O adolescente que matou o policial civil Daniel Abreu Mendes em 2025, durante uma operação em Butiá, na Região Carbonífera, está processando o Estado do Rio Grande do Sul. Ele pleiteia uma indenização de R$ 68,3 mil por danos morais.
O policial morto
O agente Daniel Abreu Mendes morreu em 21 de janeiro de 2025, enquanto a equipe cumpria um mandado contra uma mulher suspeita de tráfico. O adolescente, apontado como companheiro dela, abriu fogo assim que os policiais entraram na residência.
Daniel utilizava colete à prova de balas, porém foi atingido na lateral do corpo e no pescoço, não resistindo aos ferimentos. Ele deixou esposa e uma filha.
O “adolescente”
Logo após os disparos, os policiais prenderam o atirador (na época com 17 anos) e a mulher. Na casa, a equipe encontrou armas, munição, coletes balísticos e uma grande quantidade de drogas.
A lei
A Justiça sentenciou o “jovem” por ato infracional análogo a homicídio qualificado consumado e por seis tentativas de homicídio qualificado contra os demais policiais da equipe. Ele está internado desde 2025 e cumpre medida socioeducativa pelo prazo máximo de três anos.
Danos morais
Representado pela Defensoria Pública do Estado, o adolescente alega que foi vítima de agressões após a prisão. No processo, o defensor pede que o Estado pague, no mínimo, 45 salários mínimos, sob o argumento de que o jovem sofreu “abalo físico e psicológico” em razão de supostos excessos cometidos por agentes que participaram da operação.
O que diz a Polícia Civil
A Polícia Civil informa que a Corregedoria apurou as acusações e arquivou o caso por falta de materialidade, com base em laudos periciais do IML/IGP. Além disso, a corporação instaurou inquérito e indiciou o adolescente por ato infracional de denunciação caluniosa, enviando o caso à Justiça.
Revolta
A viúva de Daniel, Rafaela Cantuária, recebeu a notícia do pedido de indenização com “muita raiva e revolta”.
“Vem um marginal, tira a vida do meu esposo e ainda pede indenização. A gente perde um policial e uma defesa dessas ainda entra pedindo indenização para o Estado”, declarou Rafaela.
Já a delegada Karoline Plocharski Calegari, que chefiava Daniel, disse que respeita o exercício da advocacia, mas ressaltou que uma ação desse tipo revela “muita insensibilidade”.
“Onde as coisas vão parar? Como um guri com antecedentes por homicídio e tráfico de drogas, que assassinou um policial, se arvora no direito de pedir ao Estado indenização por danos morais?”, questionou a delegada.
Enquanto isso, a ação tramita na Justiça de Butiá, com audiência marcada para março.