Aprenda a driblar os gatilhos para o cigarro

Parar de fumar não é fácil, a nicotina é uma substância extremamente viciante e a principal responsável pela dependência. Além disso, diversas situações podem servir como impulso para você fumar, são os chamados gatilhos! “Uma situação representa um gatilho para a pessoa por fazê-la lembrar da substância, como quando o fumante vê outra pessoa com o cigarro”, descreve o psiquiatra Hewdy Lobo.

Mas por que isso é importante? Ao saber o que aguça a vontade de fumar, é mais fácil prevenir recaídas. “Ao identificarmos os gatilhos, podemos evitá-los quando possível, ou aprendemos a lidar com eles quando são inevitáveis”, considera a psicóloga Ana Carolina Schmidt, especialista em dependência química.

O problema é que um gatilho para uma pessoa nem sempre o é para outra. “Os gatilhos podem variar de pessoa para pessoa e isso faz com que cada fumante se posicione de formas diferenciadas diante desses impulsos”, explica a psicóloga Juliana Bilachi, especialista em tabagismo. Mesmo assim, por questões psicológicas ou mesmo físicas, alguns deles são clássicos. Listamos esses para você entender melhor por que a vontade de fumar aparece nesses momentos e ter algumas ideias de como driblar essas tentações no meio do caminho de parar de fumar: 

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Cigarro e estresse

É um fato: para muitas pessoas o cigarro serve como um escudo ou alívio em situações desagradáveis. Por isso mesmo, estar vivendo um momento estressante é um gatilho e tanto para começar a fumar! “Isso ocorre tanto pelo fato de neuropsicologicamente o dependente do tabaco ter maior dificuldade em manejar suas emoções, como também pelos efeitos que espera do cigarro – a discreta elevação do humor e a sensação de relaxamento”, ensina a psicóloga Ana Carolina. A prática regular de atividade física, momentos de lazer, um relacionamento equilibrado com a família e até mesmo a religiosidade são fatores-chave para mandar o estresse embora sem precisar recorrer ao cigarro.

Esperar por alguém

Ao esperar alguém chegar, não importa a finalidade do encontro, sensações como ansiedade e tédio vêm logo à tona. Nessas horas, qualquer outra distração evita que a pessoa saque o maço do bolso: conversar com alguém, puxar um elástico, jogar algo ou entrar em uma rede social pelo celular… “Se o fumante já identificou isto como um gatilho, pode inclusive pedir para que a pessoa avise quando estiver chegando para poder se envolver em outra tarefa e não ficar ocioso”, ensina o psiquiatra Hewdy Lobo do ProMulher.

Ir a um barzinho

Beber e fumar são dois hábitos muito relacionados, e ninguém tem certeza ainda do porquê. “Alguns pesquisadores também descobriram que a associação da nicotina com o álcool proporciona aos fumantes uma sensação de bem-estar e os motiva a aumentar a quantidade de cigarros por experimentar um humor positivo”, conta a psicóloga Juliana. Mesmo que a pessoa não beba, se o ambiente está repleto de fumantes e ela está em uma fase em que a crise de abstinência é forte, ela vai querer um cigarro.

Nesses casos, muitas pessoas precisam evitar esse tipo de ambiente, caso estejam tentando parar de fumar e não consigam se controlar nesses locais. Mas, é claro, a estratégia varia para cada pessoa: “é imprescindível que o indivíduo priorize o que possa lhe trazer mais conforto emocional e mais autoconfiança”, indica a especialista.

Estar com amigos fumantes

Ver os outros fumantes também é um belo gatilho para sacar um cigarro. “A imagem e o cheiro do cigarro, além do contexto e dos rituais fazem o ex-fumante lembrar dos prazeres do cigarro, e de seus antigos hábitos”, explica Ana Carolina. Muitas vezes a tentação é tão forte, que o jeito é se afastar desses amigos um tempo, no começo principalmente, para evitar uma recaída. “Existem indivíduos que, por maior que sejam os vínculos afetivo, emocional, social e profissional, não proporcionam aos dependentes um acolhimento útil e eficaz na luta contra o tabagismo”, considera Juliana. 

Tomar um café

Cafeína e cigarro funcionam mais ou menos da mesma forma no nosso organismo: ambos ativam o sistema nervoso central, o que torna as duas sensações bem semelhantes. Logo, você facilmente associa dois hábitos e se lembra do cigarro na hora de tomar seu cafezinho. “Além disso, o momento do café está relacionado com a pausa no trabalho, ou com um momento de relaxamento, em que normalmente a pessoa também fumava”, lembra o psiquiatra Hewdy Lobo. Se você perceber que a bebida aumenta sua vontade de fumar, vale deixá-la um pouco mais de lado por um tempo, junto com outros itens ricos em cafeína. 

Situações prazerosas

Comer, fazer sexo e outras situações de prazer podem remeter ao cigarro para muitos fumantes e ex-fumantes. “Após esses momentos, a pessoa fica em um estado de relaxamento prazeroso, e o cigarro pode vir para aumentar sutilmente o estado de alerta, o estado de humor, dos batimentos cardíacos, e contribui para a sensação de relaxamento prazeroso”, pondera Ana Carolina. Para deixar de fumar depois da refeição, algumas estratégias boas são: escovar os dentes, beber água e até escolher lugares em que é proibido fumar. Já o fumo após o sexo pode ser evitado fazendo outra atividade prazerosa depois da atividade sexual, como comer algo, conversar com o parceiro, e assim por diante. 

Ao acordar

Não estranhe se sua vontade de fumar é imensa ao acordar. “Isso ocorre devido à Síndrome de Abstinência da Nicotina. Quando os níveis de nicotina no organismo caem, a pessoa fumante passa a ter sinais e sintomas desagradáveis como vontade intensa de fumar, irritabilidade, ansiedade, dor de cabeça entre outros”, explica Ana Carolina. 

No geral, esse é o gatilho mais difícil de driblar, mas existem algumas estratégias. “Se alimentar, beber bastante líquido, não ficar ocioso, planejar alguma atividade para se distrair logo pela manhã, escovar os dentes, conversar”, enumera Hewdy. 

Falando ao telefone

Não é tão comum, mas algumas pessoas têm mania de fumar ao conversar, mesmo que por telefone. Para se livrar do hábito, mantenha-se distraído, seja rabiscando com uma caneta, chupando uma balinha ou brincando com um elástico.

Por Nathalie Ayres
Portal Minha Vida


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