Atitudes dos pais impactam na alimentação

Por Cinthya Dávila
Fonte: portal Minha Vida
(www.minhavida.com.br)

A formação das escolhas alimentares de uma criança está diretamente relacionada à rotina familiar. O motivo é que os pais e cuidadores são as primeiras referências de contato com o mundo que as crianças têm. Sendo assim, elas aprendem e se condicionam a partir da imitação dos hábitos praticados pelos adultos.

A influência da família na alimentação da criança vem desde a vida intrauterina, pois nesse período a criança recebe pelo cordão umbilical os nutrientes ingeridos pela mãe. Durante o período de aleitamento, a transferência de nutrientes é feita a partir da amamentação e, na infância, a construção do repertório alimentar das crianças é feita pela imitação das práticas e escolhas feitas pelos familiares.

E a habilidade de imitar comportamentos está diretamente ligada à capacidade de observação que elas adquirem bem cedo. Logo, se os pais se alimentam de forma prazerosa, saudável e equilibrada, elas terão mais oportunidade de desenvolver um paladar variado, em que todos os grupos alimentares são incluídos, e rico em nutrientes que irão favorecer o seu desenvolvimento.

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No entanto, não é sempre que isso acontece. Afinal, os hábitos alimentares passaram por muitas transformações nas últimas décadas. "Nos anos 70 não havia supermercados, as crianças comiam o que era feito em casa. Da mesma forma, não contávamos com tantas mulheres atuando no mercado do trabalho", afirma a psicóloga Denise Ely Bellotto de Moraes. Atualmente, as famílias têm menos tempo para cozinhar e precisam recorrer a alternativas rápidas e práticas, mas nem sempre saudáveis. 

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As consequências das mudanças nos hábitos alimentares podem ser percebidas em um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo aponta que 15% das crianças entre 5 e 9 anos apresentam um quadro de obesidade. E uma em cada três não chegaram ao nível de obesidade, mas estão com o peso acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além da consequência em relação ao peso das crianças, a má formação de hábitos alimentares pode facilitar também o surgimento de outros problemas. "Crianças que não têm uma alimentação adequada ficam com carências nutricionais. Minerais como Ferro, Zinco, Cálcio e Cobre, encontrados nos alimentos, agem diretamente no desenvolvimento do corpo como um todo, tanto na parte física como cognitiva", explica o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg. 

O que acontece é que muitas falhas na alimentação das crianças passam despercebidas pelos pais, o que causa um agravamento ainda maior desse quadro. A seguir, você encontra alguns costumes que podem ser melhorados:

Comer em frente à televisão
Esse hábito, em muitos casos, é praticado pelos próprios adultos sem perceber. Por mais que o acesso às informações esteja a poucos cliques de distância, as refeições devem ser feitas sem interferências. O motivo é que as distrações favorecem a falta de percepção do que está sendo consumido e pode trazer prejuízos, tanto pelo risco de se consumir alimentos em quantidade maior do que o necessário, como também prejudicar a digestão por atrapalhar a resposta do organismo, diante dos estímulos visuais vindos do aparelho em uso.

Mesmice
Oferecer pouca variedade de alimentos pode ser prejudicial para as crianças. Um dos motivos é que dessa forma elas deixam de conhecer diferentes tipos de alimentos, o que é importante para o desenvolvimento do paladar. Um cardápio limitado, muitas vezes, também reduz o tipo de nutrientes consumidos pela criança e, dependendo do tipo de alimento, pode ocasionar problemas de saúde. Vale lembrar que uma criança que consome sempre a mesma comida, muitas vezes, começa a rejeitar outras opções. Por exemplo, se ela é acostumada a comer uma proteína frita, quando tiver a chance de comer o alimento cozido pode não gostar por simplesmente nunca ter tido contato com aquele modo de preparo. Além disso, ela pode achar as refeições sem graça e associar o momento de comer a algo chato. 

Não ter rotina 
Na realidade atual, os pais passam grande parte do tempo fora de casa. Não há problema nenhum nisso. Só que pode significar que as refeições de qualidade são feitas na rua, e, quando chegam em casa, não estabelecem uma rotina alimentar muito bem definida. Isso, sim, pode ser um problema. Por isso, é importante que, sempre que possível, a refeição seja feita em família. Isso porque essa reunião possui uma função que vai além da alimentação.

Usar a comida como recompensa
Incentivar as crianças a obterem conquistas é um hábito benéfico e traz diferentes benefícios para a autoestima, mostra que ela tem poder de superação e foco. Parabenizá-las por essas conquistas é fundamental. O problema é quando os pais oferecem um doce a cada nota alta que a criança tira. Ou prometem um chocolate se elas se comportarem em determinada situação. Da mesma forma, pode acontecer de os pais tentarem amenizar um momento de aborrecimento com guloseimas.

Restringir demais a alimentação 
Da mesma forma que não é saudável a criança comer apenas alimentos gordurosos, açucarados e com taxas elevadas de sódio, não é indicado que os pais restrinjam demais sua alimentação. Claro, é mais indicado que ela tenha uma dieta equilibrada e rica em alimentos saudáveis. Mas é importante lembrar que as crianças vão sentir vontade de comer guloseimas. Para lidar com essa questão, o caminho do meio é a melhor alternativa. Os pais devem ensinar que existem alimentos que podem ser consumidos com mais frequência, como frutas, verduras, legumes, proteínas e carboidratos. E também existem alimentos que podem ser consumidos eventualmente e em pequenas quantidades.

Induzir medos 
Muitas vezes, sem perceber, os pais acabam passando para as crianças alguns medos que eles têm, ocasionando distúrbios alimentares desde a infância. De acordo com a psicóloga Denise, é comum os pais falarem que precisam fazer dieta e perder peso e a criança achar que ela também precisa. É importante ressaltar que não há necessidade de esconder da criança se alguém na família estiver passando por um processo de reeducação alimentar e precise consumir alguns alimentos em menor quantidade. Mas é fundamental deixar isso claro para a criança de forma que ela entenda que não precisa restringir a sua alimentação, tampouco ter uma visão distorcida da sua imagem. Da mesma forma não é adequado dizer que a criança vai engordar se comer determinado alimento, ter cáries ou dor de barriga. O melhor a fazer é dizer que alguns alimentos podem ser consumidos diariamente e outros, de vez em quando.

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