A fidelidade a mim e ao outro

Por: Padre Ezequiel Dal Pozzo | 10/01/2018 09:00:59

É mais importante fidelidade a mim ou ao outro? Provavelmente as duas coisas não se excluem. As duas são importantes. Eu devo ser fiel a mim mesmo, não posso deformar-me, mas viver em consonância interior com aquilo que sou, com meu ser. 

A minha identidade compreende aquilo que eu manifesto aos outros e a forma como me vejo. Quanto à forma que me vejo corresponde àquilo que os outros veem de mim, então estou mais próximo daquilo que realmente sou e vivo com harmonia. A fidelidade a essa identidade me cultiva para o crescimento. Nisso, consigo ser fiel a mim mesmo e aos outros, sem prejudicar-me ou prejudicar o outro. Se a fidelidade a outra pessoa for destruir a minha identidade e a fidelidade a mim, então eu não consigo manter a fidelidade ao outro. Fidelidade à outra pessoa significa que você pode confiar em mim. Eu estou ao seu lado assim como você é. Eu respeito a sua identidade. Fidelidade à outra pessoa nunca significa eu me deixar arrastar por ela, para o mal ou para consentir com erros que o outro comete. Eu sou fiel à pessoa, mas não me deixo arrastar pelo mal. Estou ao seu lado e não deixarei que você caia, se descobrir algo em você que não me agrada. 

Algumas pessoas acham que eu não posso prometer fidelidade, porque eu mesmo mudo continuamente e a outra pessoa também muda. Fidelidade é a promessa de permanecer fiel a mim e a outra pessoa apesar das transformações que ocorrem em mim e que ocorrem nela. Digo sim a uma pessoa, a qual não sei em que direção ela poderá mudar. Nesse sentido a fidelidade é também um risco e um desafio. Nesse desafio está o desejo em resumir a minha vida em uma palavra: acolho você e me comprometo contigo. Digo sim à sua pessoa e estou disposto a caminhar contigo, ajudando você a despertar o seu melhor. Eu confio em você e você pode confiar em mim. Confiança não se estabelece sem riscos e sem desejo de crescimento de ambas as partes. 

A fidelidade é uma atitude, uma virtude. Para os cristãos, a fidelidade de Deus para conosco é uma decisão do amor. Deus faz um pacto, uma aliança de amor conosco. Ele nunca rompe essa aliança, em nenhuma hipótese. Nele podemos repousar a nossa fidelidade. Por trás está a certeza de que Deus permanece fiel, mesmo quando somos infiéis a Ele e a nós mesmos. Sua fidelidade permite sempre mudança de rumo e regresso. A sabedoria bíblica, no livro da sabedoria diz: amigo fiel é refúgio seguro. Quem o encontra, encontra um tesouro. Amigo fiel não tem preço, não há medida para seu valor. Amigo fiel é um elixir de longa vida e os que amam o Senhor o encontraram.


 


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Padre Ezequiel Dal Pozzo

Padre Ezequiel Dal Pozzo

Sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS), padre Ezequiel é cantor e compositor e lidera o projeto "Despertai para o Amor", de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou seis CDs e um DVD e roda o Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações. Apresenta diariamente a reflexão "Despertai para o Amor" em mais de 250 rádios de 19 Estados do Brasil e o programa semanal "Despertai para o Amor" na TV Evangelizar e na TV Nazaré. É editor da Revista "Despertai para o Amor", de circulação trimestral, e autor do livro "Beber na fonte do amor: como a misericórdia humaniza e traz verdadeira alegria" (Edições Loyola).



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