O Brasil já tem um novo presidente

Por: Felipe Sandrin | 08/11/2018 06:00:51

Sete meses antes de Trump se eleger nos EUA escrevi um texto apontando os motivos que o levariam a se tornar presidente. Já em abril deste ano escrevi um artigo no SERRANOSSA intitulado “Por que Bolsonaro avança para ser o novo presidente do Brasil”. Não se trata de premonição, a história é cíclica e o futuro está cheio de passado. 

O Brasil que hoje parece se dividir é na verdade o que se une: cinquenta milhões de votos demonstram claramente isso. Não, o Brasil não se polarizou, pelo contrário, se uniu em protesto e indignação. Alguns gritam, fazem campanha, mas a maioria contempla em silêncio e desprezo o espetáculo horrendo daqueles que proclamam #elenão. São artistas em seus mundos particulares de drogas e estúdios de gravação.

São falsas feministas que, pela falta de um cérebro, usam o corpo como protesto. São os odiosos às religiões, os que querem a destruição da dita família tradicional. 

Não, o Brasil não se dividiu. Cinquenta milhões de pessoas provaram isso, cinquenta milhões de pessoas derrubaram a máscara dos tantos criminosos ocultos desse país. 

Lula comanda um espetáculo mesmo estando preso. Um criminoso condenado e seus adeptos envergonhados que agora precisam sair de suas tocas. Que lição devemos tirar disso? Que muitas das ditas vítimas eram, na verdade, cúmplices. 

Sabe aquele seu amigo que votava no PT? Sim, talvez ele fosse ingênuo. Quantos de nós não acreditaram, não é mesmo? Pois é. Aquele tempo ficou para trás, a era de quem acreditou naquele partido e em sua bandeira vermelha ficou para trás. Hoje quem os apoia é nada menos do que cúmplice desse grupo que quase enterrou o Brasil. 

Bolsonaro está eleito, junto dele outra centena de ditos conservadores. E aos que duvidavam que o poder centralizado das mídias estava se dissolvendo, aí está o resultado. A internet elegeu grande parte dos novos políticos. O próprio Bolsonaro precisou de nada mais do que sete segundos de propaganda na TV para monopolizar essas eleições. Tudo se tornou Bolsonaro e a cada novo protesto contra ele sua popularidade cresceu. 

Não, essas não foram as eleições do ódio e da divisão, pelo contrário, foi uma das primeiras vezes em que o povo se uniu tão conscientemente. Foi uma eleição das famílias tradicionais que, por fim, são os pilares que erguem e seguram a sociedade. 
Foi a eleição das mulheres que se uniram contra as mentiras de uma minoria que se julga representante de todas. 

Não, assuntos como aborto, liberação das drogas e feminicídio não serviram para distrair a população que clama pelo básico em segurança, saúde e educação. Queremos, sim, o direito de, mediante comprovada capacidade, termos armas para defendermos nossas vidas e propriedades. Queremos, sim, o direito a – pelo menos tentarmos – nos defender, já que o Estado nos abandonou. 

Eu, que não tenho filhos, que não tenho religião, que não clamo pelos valores tradicionais, eu, que tinha tudo para não apoiar Bolsonaro, ainda assim percebi para onde essa nação caminhava: a destruição dos valores, o sequestro da inocência das crianças, o Estado a engolir e suceder a família. 

Não, essa eleição não foi a do ódio, pois se assim fosse não seriam cinquenta milhões de pessoas dizendo “chega”. 

Ah... Dessa vez a história não será escrita pelas mãos dos manipuladores: ela é agora escrita por todos nós. E o futuro contará essa verdade. Em 2018, a imensa maioria da população brasileira disse “chega” aos hipócritas. Pois a ordem é a única chance de progresso.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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