E que não sejamos eles amanhã

Por: Felipe Sandrin | 26/10/2018 06:00:18

- Felipe, qual seu maior medo? 
- Me tornar petista.

E vejam bem, você não precisa vestir vermelho, colocar uma estrela no peito e apoiar o socialismo da pobreza para se tornar petista. Não, porque ser petista hoje em dia não é um adjetivo voltado ao próprio petismo: ser petista hoje remete ao fanatismo incontrolável, à razão sucumbida pelas emoções, à lógica contrariada pela precariedade de uma fé depravada.

Quem vota em Bolsonaro pode se tornar petista? Claro que pode, e não é difícil isso ocorrer. Lembre como o culto ao presidiário Lula começou? É sempre assim, você começa dedicando uma ideia, logo a ideia vira convicção e, um dia, sem perceber, você defenderá essa ideia mesmo que ela se torne criminosa.

Neste final de semana traçaremos um novo rumo ao Brasil. Talvez nunca antes o brasileiro esteve tão confiante nisso. Basta olharmos a diferença de votos no primeiro turno. Nunca, na história recente, o povo brasileiro se uniu tanto por um candidato. Tempos de desunião? Nada disso: Bolsonaro passou a representar uma mudança significativa, um basta às ideologias empurradas goela abaixo em escolas e universidades, um apelo das pessoas que veem a família e a religião como bases fundamentais de uma sociedade onde hoje 65 mil vidas se perdem como lixo entre as enchentes da violência.

Podemos estar vivendo um sonho utópico? É claro que podemos, assim como já fizemos antes. Mas sabe o que não devemos? Não devemos engolir erros, não devemos nos apegar em nossos votos como se esses fossem sagrados. Nós estamos escolhendo aquilo que pensamos ser o melhor, votamos com a convicção, tentando usar o máximo possível da razão. Mas se isso não significar casar com um candidato, pois se isso nos levar para uma total decepção, então é hora de provarmos nosso real valor e dizermos “não” para o que um dia foi nosso contundente “sim”.

Não sejamos eles amanhã, não deixemos um partido estar acima do Brasil, não tornemos outras cores maiores do que as da nossa bandeira, não deixemos a ideia se tornar devoção. Se somos assolados hoje pelo mal supremo da herança petista, então que usemos dessa para entender as aberrações que nascem desse apego partidário e ideológico.

Que nossos irmãos venezuelanos sejam um constante alerta, que saibamos assumir nossos erros antes de sermos totalmente dominados por eles. E se o Brasil está por um fio, que consigamos tirar força desse pequeno fiapo de esperança que ainda nos conecta de norte a sul, de leste a oeste.

O Brasil que nós queremos está longe – muito longe –, mas que isso não signifique a nossa desistência. Que nosso cansaço não seja sinônimo do fim, mas apenas um revigorar, como uma respiração mais profunda que guarda nosso último – e melhor – fôlego.

Se hoje a esperança é pouca, domingo eu creio com força que teremos muito mais. E que não haja sequer uma bandeira vermelha para provarmos que esse tempo está ficando para trás.

Que nós, brasileiros, nos façamos dignos de um novo futuro melhor. Mas que nunca nos esqueçamos do passado e, principalmente, que jamais cometamos os mesmos erros.

É difícil, eu sei, mas se não for para sonharmos hoje, quando poderemos? 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com



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