Ainda devagar, quase parando

Por: Greice Scotton Locatelli | 16/11/2018 06:00:42

Repassando alguns textos antigos, eu me deparei com um datado de maio de 2014, que falava sobre como a burocracia ou a falta de vontade emperravam algumas iniciativas bacanas e/ou extremamente necessárias para Bento Gonçalves. Entre as que foram enumeradas naquela época, algumas infelizmente seguem na lista, passados mais de quatro anos. É o caso, por exemplo, do prédio próprio da biblioteca pública, do Centro Administrativo que reuniria todas instalações da prefeitura em um único local, da duplicação da então RSC-470 (hoje BR-470) e do corredor moveleiro para escoamento da produção. 

Nesses pouco mais de 1.600 dias, algumas saíram (finalmente) do papel: o restauro do Museu do Imigrante, já concluído, e o novo presídio, que deve ser inaugurado no início do próximo ano, são dois exemplos. Também houve melhora na centralização dos serviços municipais, apesar de o projeto do Centro Administrativo no bairro Planalto ainda ser apenas teoria. A BR-470 não foi duplicada como amplamente prometido no passado, mas a federalização resolveu muitos dos problemas que assolavam a rodovia há décadas, como a falta de manutenção das pistas e a fiscalização ineficiente. E, nesse balaio, podemos citar a rotatória da Telasul, no entroncamento com a RSC-453. Embora pertença a Garibaldi, o trecho é utilizado diariamente por toda a comunidade regional e a obra teve um impacto muito positivo na segurança viária. Para se ter uma ideia, o projeto completou um ano sem nenhuma morte registrada, o que antes era absurdamente comum. Muitas conquistas, mas também muito tempo para que se tornassem realidade.

Na última semana, eu estive mais uma vez conferindo a obra do novo presídio – aquela mesma que eu apostei erroneamente que ainda demoraria anos para sair do papel. Também pudera, com tantas idas e vindas no projeto, estava bem difícil ser otimista: e eu tenho argumentos fortes para isso. A necessidade de tirar o prédio do centro da cidade tornou-se evidente na segunda metade da década de 1990. Desde então, 22 anos se passaram e quatro prefeitos assumiram e deixaram seus cargos – dois deles já falecidos.

Mais uma vez eu mordi a minha língua, admito, porque a obra não apenas começou, como segue em ritmo acelerado e, apesar de toda chuva que tivemos neste ano, deve ser entregue dentro ou muito próximo do prazo inicial previsto (confira reportagem completa). Trata-se de um presídio “de verdade”, sem comparação com a construção atual, que nem deveria poder ser chamada de presídio tamanho improviso. É uma estrutura planejada, com as medidas de segurança necessárias, distante da área central e pensada para o seu propósito. 

No final de semana, após mais uma tentativa de arremesso de celulares para o pátio da atual casa prisional, eu conversava com o diretor, Volnei Zago, sobre como esse tipo de ação se tornará rara após a mudança de local do presídio, tanto quanto as fugas. Haverá também outro efeito em longo prazo, imagino, no que diz respeito à questão humanitária já que as condições de sobrevivência lá serão melhores, sem superlotação (pelo menos por enquanto e, espera-se, por bastante tempo) e com espaços específicos para atendimento médico, odontológico e oficinas, por exemplo. 

Infelizmente não há muito que fazer quando o assunto é burocracia. Como imprensa, seguimos pressionando, assim como muitas pessoas da comunidade e entidades fazem. Talvez aquelas demandas que também sofrem com a má vontade de quem tem o poder possam se beneficiar se não baixarmos a guarda. Quanto às outras, tomara que, mesmo devagar, quase parando, possam sair gradativamente do papel. É o fio de esperança que nos resta.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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