Rabugentos e rabugentas

Por: Greice Scotton Locatelli | 12/07/2018 06:00:58

Talvez eu só esteja cansada, já que 2018 foi um ano insano, corrido, dramático. Talvez seja apenas muito tempo na mesma profissão ou talvez seja justamente isso que me credencie a opinar sobre o assunto. Talvez eu seja rabugenta e ranzinza ou, ainda, uma eterna inconformada. O fato é que estou farta de quem só reclama de tudo e de todos o tempo todo e não move um dedo sequer em prol da coletividade. Vai além de egoísmo: é um tipo de ódio do mundo em que vivemos. É como estar em um avião e desejar que ele caia porque você odeia o piloto. 

Quase tudo que se tenta fazer é alvo de críticas – muitas críticas. Há sempre alguém disposto a detonar uma ideia e, em teoria, fazer melhor.  Falar é fácil. Mas quem realmente se dispõe a dar a cara a tapa e fazer? Pouquíssimos. Eis a questão.

O que pouca gente se dá conta é que esse é comportamento está virando um hábito nocivo que dificilmente será revertido. Sim, ser rabugento pode se tornar um hábito e daqueles que nos perseguem. 

Acha exagero? Pense um pouco: do que você já reclamou hoje? Eu aposto no clima – sempre rende aquela conversa rápida no elevador para quebrar o gelo com alguém estranho e praticamente todo mundo tem uma opinião (e uma reclamação) sobre ele.  Já vou avisando: há previsão de uma frente fria a caminho que pode trazer geada para a região em pleno dezembro. “Ah, mas é um mês em que deve fazer calor, é verão”. Levanta a mão quem se queixou dos dias quentes registrados até agora... A gente reclama do frio, do calor, da seca, da chuva. Somos uma espécie bem difícil de agradar.

Pois bem, a vida é mesmo uma caixinha de surpresas. Há algumas semanas, ela me fez assistir a uma palestra sobre sentimentos e pensamentos. E como de tudo a gente pode tirar uma lição, eu aprendi uma valiosa naquele dia. Reclamar é “clamar” duas vezes. Ou seja, pedir algo ao universo. De repente, tudo fez sentido. 

Nesse mesmo dia, aprendi outra coisa que tenho aplicado na minha rotina e tem funcionado. Você sabia que, fisiologicamente falando, a raiva dura apenas 90 segundos? Todo tempo que ela persiste depois disso é alimentado pela nossa mente – traduzindo: podemos controlar. Mas a gente prefere discutir, reclamar e ficar cultivando raiva e mágoas à toa – por horas, dias, meses... pela vida toda!

São sentimentos normais, ainda mais em um ano tão pesado emocionalmente como 2018 foi, mas, aproveitando essa época em que muita gente escolhe para se “renovar”, ainda dá tempo de repensar alguns hábitos nocivos que fazem mal para nós mesmos e para quem convive conosco. Colocar no “piloto-automático” não é uma boa ideia nesses casos: tal qual um dependente químico, é preciso vigilância constante de sentimentos, pensamentos e atitudes. Faça o teste: preste atenção nas reclamações banais do dia a dia e tente evitá-las. Eu fiz e posso afirmar com categoria: isso muda tudo. Mas, como eu citei, dá trabalho e exige autopercepção e autoconhecimento. E talvez seja isso que falte para termos mais harmonia – e menos reclamação – no mundo. Comece por você. Eu farei o mesmo.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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