O lado ruim do Natal

Por: Greice Scotton Locatelli | 20/12/2018 06:00:59

Conheço gente que fica deprimida no Natal, assim como algumas pessoas que não veem a hora desse período chegar. Conheço gente que perde toda a parte divertida da festa se preocupando com detalhes que nem fariam tanta diferença assim e outros que não se importam com o que chamam de “frescura”. Conheço gente que gasta todo 13º salário em presentes e muitos que presenteiam só as crianças da família – e olhe lá! Mas o que muita gente que eu conheço tem em comum é a mudança de comportamento nessa época do ano: de repente ficam sensibilizados e solidários. 

Você se lembra da história da Cinderela? É mais ou menos assim: imagine que o desejo de mudar o mundo seja a carruagem da personagem, que se transforma em abóbora à meia-noite do dia 26 de dezembro. Ho-ho-ho: bem-vindo ao espírito natalino que muita gente acha bacana. Eu não.

Não é que eu não curta o Natal. O que me incomoda é como as pessoas mudam por um tempo e depois voltam a ser aquilo que sempre foram. Embora não seja minha época favorita justamente em função dessas máscaras emocionais e da correria generalizada, eu faço questão, sobretudo, de ser grata. Afinal, Natal é muito mais do que uma data comercial.

Para mim, ser solidário com hora marcada é só mais um péssimo hábito da humanidade, tão grave quanto a hipocrisia de passar o ano avacalhando a vida dos outros e sendo egoísta e nos dias que antecedem Natal ser a pessoa mais bondosa do planeta. Claro que ainda é melhor ser solidário somente em uma época do ano do que ser insensível aos problemas dos outros sempre, mas deveria ser algo além do mês de dezembro e suas ruas enfeitadas. 

Se você, como eu, faz (ou já fez) trabalho voluntário junto a famílias carentes, aposto que já ouviu dizer que no Natal todo mundo aparece. É como se uma “magia de humanidade” acontecesse e todo mundo passasse a querer o bem-estar do próximo, seja ele quem for. Mas aí a folha do calendário vira e vestimos a nossa máscara de “cada um com os seus problemas”. Recomeça a contagem até a chegada o próximo Natal.

Sim, eu sei que soa deprimente, ainda mais estando tão perto dessa data tão especial. Mas é a realidade. Chegamos mais uma vez ao período da falsidade, dos desejos irreais de felicidade (a maioria, pelo menos), de fingir que está tudo bem e de se sentar ao redor de uma mesa com comida demais enquanto há muita gente passando fome TODOS OS DIAS, não só em dezembro. A maioria de nós voltará a ser o egoísta hipócrita que sempre foi tão logo a ceia acabar – se não durante ela.

Se dá para extrair algo bom nisso tudo é que cada vez mais gente tem se dado conta disso e tem tentado melhorar. Várias frentes de solidariedade têm ganhado força no decorrer do ano e se mantido graças ao esforço de muitos voluntários. 

E é justamente a manutenção desse espírito de empatia meu maior desejo para 2019. Que saibamos comemorar pequenas conquistas e superar os desafios que vierem. Que o ano seja mais leve e permita que a gente não apenas sobreviva, mas também viva. Que tenhamos foco, força e fé para melhorar dia após dia, no que der. 
Boas festas e que 2019 traga mais notícias boas do que ruins!

Em tempo... aproveito para informar que a próxima edição do SERRANOSSA circula no dia 11 de janeiro. Mas fique tranquilo, estaremos de plantão para que você possa se manter informado através do portal SERRANOSSA e da nossa fanpage no Facebook durante esse período. 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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