Quem sobreviveu a 2018 sobrevive a qualquer ano

Por: Felipe Sandrin | 20/12/2018 06:00:37

Exageros à parte, 2018 foi um teste de nervos para a maioria dos brasileiros. No ritmo das eleições, muitas amizades desabaram, muitas máscaras caíram e muita gente passou a rever alguns conceitos.

O avanço esmagador das redes sociais expôs a clara decadência das então tradicionais mídias. A possibilidade de cada indivíduo se tornar uma matriz de informação também evidenciou os claros enganos aos quais muitos de nós estávamos nos submetendo. Mais do que as ditas fake news, fomos expostos à hipocrisia dos mentirosos, daqueles que usam a falsidade do bem comum como um abrigo para esconderem as verdadeiras intenções.

Se no âmbito político a maioria dos brasileiros viu sua esperança reascender com um governo que promete ser conservador quanto à moral e à ética, na área da própria moralidade fomos expostos a cruel realidade que por tantos anos abrigou-se atrás da cortina.  Foi mais fácil em 2018 percebermos o motivo de o Brasil se tornar esse abominável Brasil. Culturalmente estamos mortos e enterrados, nunca produzimos tanta coisa ruim, musicalmente nos tornamos uma latrina e a arte se tornou mais ideológica do que uma contemplação ao esforço do talento.

Jovens mal educados, mimados e sensivelmente fracos nos asseguraram uma geração perdida e pronta para cometer o suicídio do imbecil coletivo. Nunca o ventre do futuro esteve tão exposto, nunca foi tão fácil perceber que a cura ao que quer que seja levará mais tempo do que qualquer pessimista poderia prever.

Otimismo para 2019? Por quê? Os idiotas vão continuar sendo idiotas e o brasileiro não será magicamente abençoado com o valor das capacidades. Vai ter muito chororô, vai ter muito vitimismo, vai ter muito banana gritando sobre direitos – como se a vida devesse algum favor a alguém. Mas o bom desses anos difíceis está na separação do joio do trigo: os fortes vão entrar ainda melhores e prontos para combater aqueles que nos últimos anos se vestiram como portadores da paz e do amor quando na verdade tudo o que tinham era inveja, ódio e um medo incalculável de serem vistos como verdadeiramente são: egoístas e incapazes de realizar qualquer feito grandioso.

Enfim, 2019 será um reflexo de 2018, cães vão latir e a caravana seguirá a passar. O mundo seguirá sendo uma matéria irônica que não recompensará alguém pelo simples fato de essa pessoa gritar e espernear feito uma criancinha que requer seu direito ao pirulito mágico.

Será, sim, um bom, quem sabe até supere meu 2018 – melhor ano de minha vida. Aguardarei, ansioso, os fogos da virada e estarei pronto para a simples continuação da vida. Nada mudará, tudo apenas seguirá seu ciclo, uma linha reta de fatos intermináveis os quais naturalmente derrubarão os oportunistas e exaltarão aqueles que se mantiverem de pé.

Pode vir com tudo 2019, a gente vai te superar. Quem sobreviveu firme a 2018 sobrevive a qualquer ano.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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