E se um dia você precisar?

Por: Greice Scotton Locatelli | 22/02/2019 06:00:51

Admiro muito pessoas que não medem esforços para ajudar outras, seja doando um pouquinho de tempo ou algum valor em dinheiro. Mais ainda, admiro as que vão além. A história do Rafael Audibert, cabelereiro de Bento Gonçalves que foi personagem da série “Vida de...” há poucas semanas no SERRANOSSA é um exemplo perfeito de altruísmo. Há dez anos, como outras centenas de pessoas, ele topou ser doador de medula óssea na tentativa de ajudar outro bento-gonçalvense, Bruno Basso, que sofria de leucemia. Na época não houve compatibilidade, mas o melhor da história ainda estava por vir. 

Uma década depois, uma análise mostrou que a medula dele era compatível com a de uma paciente do Rio Grande do Norte que necessitava de um transplante para sobreviver. Rafael não sabe o nome ou a idade dela, tampouco a doença da qual ela sofre. Mas não hesitou: recebeu uma ligação na sexta-feira e, dois dias depois, largou tudo para embarcar a fim de fazer novos exames. Na matéria assinada pela repórter Raquel Konrad, ele contou que não teve dúvidas por já ter tido duas perdas importantes – do pai e da mãe, vítimas de câncer – e por ele próprio ter necessitado de um transplante de córneas.

A história é muito legal e serve para mostrar outra situação, essa nem um pouco bacana: como tem muita gente que acaba impondo limites e desculpas para si mesmas nessas horas. O próprio Rafael conta que perguntou para amigos e descobriu que 75% deles não topariam ajudar um estranho nessas circunstâncias. Cada um com suas convicções, mas eu sei que não conseguiria dormir se soubesse que poderia ter salvado a vida de alguém e não fiz por qualquer que seja o motivo. E se eu estivesse precisando de um transplante? Como eu me sentiria se alguém 100% compatível dissesse um simples “não”, seja porque tem receio ou porque não tem tempo? Empatia é tudo, gente! Hoje você ajuda, amanhã pode precisar.

Já a Anjos Unidos, entidade de Bento que apoia pessoas deficientes, fez outra constatação: há um “preconceito” em ajudar quem não é da cidade. “Se existem pessoas de outras cidades precisando de ajuda, passando fome, enfrentando dificuldades, por que não ajudar? Elas não merecem menos apenas por serem de outra cidade e talvez onde morem não tenha uma associação/ONG que realize esse trabalho, por isso nós ajudamos. Para nós, o que importa é que um ser humano precisa de ajuda. Acreditamos que sempre podemos dividir as doações e que, juntos, podemos somar” dizia uma mensagem postada na fanpage da entidade no Facebook. 

Aliás, foi através da Anjos Unidos que conhecemos a história do Willian, que foi outro personagem, junto com a mãe, Rejane, da série “Vida de...”. Outra história emocionante sobre as rasteiras que a vida nos dá e sobre pessoas que não se deixam abater. Tive a oportunidade de conversar longamente com Rejane e fiquei arrepiada com o otimismo dela em relação à arrecadação de R$ 150 mil para levar o filho adolescente para a Tailândia, para um transplante de células-tronco que pode ajudar a reverter a paralisia cerebral que ele sofreu quando tinha 2 anos. Uma história daquelas que faz você refletir sobre os próprios problemas – que se tornam tão insignificantes diante da grandiosidade de situações assim que nem mais deveria ser chamados de “problemas”. 

Em um mundo dominado pelo egoísmo, em que cada vez mais pessoas pensam apenas em si mesmas e nos seus próprios anseios, desejos e necessidade, tirar um tempo para doar um pouco de si aos outros – voluntariamente e sem “holofotes” – é um comportamento que faz toda a diferença. Doe o que você puder, quando e se puder. Pratique o amor. É assim que se muda o mundo, um dia de cada vez.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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