A volta do alerta

Por: Greice Scotton Locatelli | 22/03/2019 06:00:24

Parece piada de mau gosto, mas, infelizmente, está longe de ser. Nesta semana, novamente muitos pais, educadores e pessoas que convivem com crianças e adolescentes ficaram preocupados com a possível volta da personagem “Momo”. No ano passado, algum desocupado mal-intencionado – ainda não descoberto pela polícia – achou que seria legal pegar a imagem de uma escultura de uma “mulher pássaro” feita por um artista japonês e transformá-la em uma personagem que incentiva crianças e adolescentes a se mutilarem e até cometerem suicídio. Pensando bem, “desocupado” é uma palavra bem leve para descrever alguém que faz esse tipo de coisa.

Para nós, adultos, pode parecer besteira, algo surreal. Mas imagine uma criança vendo um vídeo na internet sobre qualquer coisa infantil própria para a idade dela – um desenho da Peppa Pig ou um vídeo de outra criança mostrando como fazer slime (aquela massinha tipo a “geleca” de antigamente) – e de repente surge essa personagem bizarra ensinando como ela deve fazer para cortar os próprios pulsos ou fazendo ameaças. Deve ser, no mínimo, assustador – só a imagem da tal Momo (essa no centro do texto), aliás, já perturba qualquer pessoa.

A reação varia de criança para criança. Umas não acreditam, outras correm para chamar os pais, outras interiorizam o terror – e sabe-se lá como reagirão a ele. Infelizmente, algumas são altamente sugestionáveis e acabam acreditando (e seguindo as ordens) – há pelo menos dois registros de suicídio: de uma menina argentina de 12 anos e um menino de 13, morador da Bélgica, fora os inúmeros casos de crianças lesionadas e traumatizadas.

O fato é que todo cuidado é pouco e que a teoria em relação a como proceder nem sempre é aplicável na prática. Os especialistas dizem que os pais precisam ficar atentos o tempo todo ao que as crianças assistem na internet. Lindo, na teoria. São raros os casos em que isso é possível 100% do tempo. 

Em uma reportagem feita recentemente pela Revista Crescer, por exemplo, foi citado o caso de uma mãe que tomou todas as precauções indicadas em termos de filtros on-line e monitoramento e que só descobriu que a filha tinha visto a tal personagem quando recebeu uma mensagem de alerta em um grupo de WhatsApp e resolveu conversar com a menina, que desatou a chorar – era um vídeo sobre como fazer slime. Após a repercussão, a tal aparição acabou gerando polêmica, já que vários especialistas digitais alertaram sobre a possibilidade de não ter ocorrido da forma como a criança relatou. Mesmo assim, considero o alerta válido, afinal, hoje é a Momo, amanhã pode ser qualquer outro perigo tão bizarro quanto.

A boa notícia é que nesses casos o WhatsApp tem um papel muito relevante – mais do que a própria imprensa. Logo que a história veio à tona, a reportagem passou a ser amplamente compartilhada nos grupos e serviu de alerta para muita gente. Que bom que aplicativos desse tipo de vez em quando também servem para situações úteis, não somente para futilidades. 

Pesquise sobre o assunto na internet, fique atento ao que seu filho faz on-line, incentive-o a conversar sempre que algo fora do comum aparecer. Acima de tudo, converse com a criança. É uma das formas mais eficazes de rebater esses absurdos trazidos pelo mundo moderno para dentro de nossas casas.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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