A cortina vermelha segue a se abrir

Por: Felipe Sandrin | 29/03/2019 06:00:43

Assim que Cesare Battisti chegou à Itália, em um de seus primeiros depoimentos, ele confessou que havia cometido dois assassinatos e que foi o mandante em outros dois. Para quem não lembra, Battisti foi um protegido de Lula no Brasil.

Pois é, as heranças do PT não param de surgir. A cortina de ilusões se dissipa com a mesma força que Lula as usou para chegar ao poder. Assassinos protegidos admitem seus crimes. “Amigos” do ex-presidente seguem a apontá-lo como líder de quadrilha, um assaltante transfigurado de político. Mais do que desabar a máscara de um homem estamos assistindo à ruptura de um do jogo de engrenagens que esses canalhas articularam por todo o país.

E basta seguirmos o rastro das vozes. Para cada “Lula livre”, um oceano de hipocrisia, culpa e mau-caratismo. Para cada discurso em universidades, um reino de reitores e professores articulados e lubrificados com nefastas ideologias e delírios de poder. Para cada “aluno” marchando em defesa da doutrina empregada nos anos de PT, uma nítida imagem da boçalidade que sugou cada gota de potencial desses agora bonecos de manobra.

São os anos mais brilhantes de nosso Brasil: não pelas obras que avançam, pelo otimismo inalterado ou por qualquer certeza de um caminho certo. Não, o raio de luz que nos atinge é apenas um choque da realidade que por muito tempo foi mastigada e engolida como sendo a realidade de um país que rumava para a total mediocridade. Missão quase cumprida: quase!
Enquanto isso os venezuelanos seguem morrendo de fome. E vejam só, essa fome que agora os atinge tem o mesmo berço de Luiz Inácio e seus comparsas. O apoio dos vermelhos ao ditador Maduro segue inalterado. Eles se completam, ditadores, assassinos, manipuladores. 

Todos esses se abraçam e juram ao mundo que o socialismo sobrevive. São parecidos com um vizinho meu, que vive dizendo que a culpa é de todos, menos dele. O cara nunca gerou um emprego na vida, sempre exerceu cargos nos quais seu salário era pago com dinheiro público, e agora fica o dia inteiro sem fazer nada, olhando para uma foto de Lula, que repousa sobre seu televisor constantemente ligado na Globo.

Patética e deprimente é a situação dessas engrenagens que agora não sabem para que lado girar. Ainda giram, não movidas por uma força que lute por qualquer razão, mas pela motriz de suas pueris crenças. Rezaram ao santo errado e agora o milagre se tornou a própria condenação.

O apego é o veneno de toda alma, algumas se extinguem antes do avançar da realidade, outras são torturadas com a contemplação deste monumental fracasso que as idolatrias geram. Por isso sempre há de nascer novos Lulas, alguns colapsam antes que outros, mas a monumental força dessa queda quase sempre é sucedida pelo nascer de uma nova futura decepção.

Que pelo menos Lula e o buraco no qual habita sirvam de lição a todos nós: a crença absoluta cega. Uma bandeira, uma cor, uma face podem ser ao fim a constatação óbvia de que um idiota mora por de trás daquele olhar. Então, cuidado com o ser que habita e fala através da sua voz.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com



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