Nossos heróis quase anônimos

Por: Greice Scotton Locatelli | 24/05/2019 06:00:35

O caso que chocou Bento Gonçalves e região nesta semana, de uma mulher grávida de sete meses que foi morta a tiros no bairro Santo Antão, traz consigo, nos bastidores, histórias de competência e, sem exagero, heroísmo. Talvez você, leitor, não tenha noção de como situações desse tipo movimentam órgãos de segurança, mas é muita gente envolvida e empenhada desde o primeiro chamado até a conclusão do inquérito e o posterior julgamento. São pessoas comuns, que, apesar de todo treinamento e preparação que recebem, continuam passíveis de erros e de instabilidade como qualquer outro ser humano. 

Assim como nós, eles têm problemas e preocupações, dias bons e ruins. E como não existe uma tecla de “liga-desliga” – agora eu deixo de ser a “pessoa” e passo a ser o “profissional” – se superam a cada dia na missão de fazer o certo. São pais, mães, filhos, avós, tios – entre tantas outras denominações – que deixam a segurança de suas casas para, dia após dia, arriscarem-se salvando a vida de desconhecidos nas circunstâncias mais adversas, às vezes sem o mínimo de estrutura necessária.  

Desde a equipe da Brigada Militar, tradicionalmente uma das primeiras a ser acionada em situações relacionadas à criminalidade, passando pelos socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou dos Bombeiros, até quem recebe as vítimas no Hospital Tacchini ou na UPA 24 horas. Todos, sem exceção, merecem aplausos pela coragem com que atuam e por conseguirem manter a calma em momentos de tamanho estresse, em que uma decisão tomada em uma fração de segundo pode determinar se uma pessoa continua viva. 

Da mesma forma, merece reconhecimento quem atua na sequência, na análise da cena do crime, no recolhimento dos corpos (funerárias), na necropsia (Instituto-geral de Perícias), na investigação da motivação e das circunstâncias, ouvindo vítimas e suspeitos e tentando montar um quebra-cabeça sem saber ao certo por quantas peças ele é formado (Polícia Civil). São pessoas comuns cujo trabalho é encontrar respostas – e às vezes até as perguntas certas – para esclarecer assassinatos, roubos, sequestros e tantas outras modalidades de crime e que acabam tento que lidar com a pressão por uma solução e até com ameaças de morte. Sem contar as pistas falsas que surgem: quanto maior a repercussão de uma história, mais pessoas “ansiosas por ajudar” acabam repassando informações inverídicas ou boatos e atrapalhando o trabalho dos investigadores.
 
Na outra ponta está quem atua no sistema carcerário ou no sistema Judiciário e é acionado após o processo de investigação. A responsabilidade deles não diminui só porque algumas perguntas foram respondidas no caminho. Igualmente dignos de respeito são os que atuam na área relacionada ao trânsito, como o DMT e Polícia Rodoviária Estadual e Federal.

Que bom que Bento Gonçalves conta com excelentes profissionais atuando na linha de frente de emergências, especialmente que envolvem segurança pública, dispostos a pagar o preço da coragem com a própria vida. Que bom que esses heróis quase anônimos conseguem manter a calma e tomar as decisões mais acertadas, na medida do possível, na hora de salvar vidas de pessoas que eles nunca sequer viram, mesmo que nem sempre dê certo. O que vale é não desistir e fazer o possível, da melhor forma que der. Nosso aplauso a vocês e o desejo de que continuem dando o máximo de si para transformar o mundo em um lugar melhor.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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