Tudo muda o tempo todo

Por: Greice Scotton Locatelli | 07/05/2019 06:00:20

Nesta semana, em uma daquelas lembranças que o Facebook proporciona, eu voltei no tempo. Era uma foto de 2011, quando recebi duas homenagens dos Bombeiros, uma pessoal e outra pelo SERRANOSSA, pelos serviços prestados à corporação. Isso me fez refletir o quanto as coisas mudam em espaços relativamente curtos de tempo – incluindo eu mesma, física e emocionalmente.

Decidi folhear algumas edições do jornal daquele tempo e isso só me fez ter mais certeza de que, tal qual cantou Lulu Santos, “tudo muda o tempo todo”. Não tem comparação a forma de fazer jornalismo de oito anos atrás com a de agora. A maneira de se comunicar com os leitores mudou radicalmente, assim como os meios que hoje utilizamos para levar a notícia até você.

Nesses 20 anos de carreira, vi o jornalismo passar do analógico quase extremo à instantaneidade e facilidade absurdas (no bom sentido) que vivenciamos. Sim, em duas décadas o jeito de se comunicar através da imprensa passou por transformações enormes – e olha que já existiam os computadores, imagine quem fazia comunicação no tempo da máquina de escrever. Sim, em 1999, quando comecei no jornalismo, as fotos precisavam ser reveladas a partir de filmes fotográficos e, na hora de buscar uma informação, a biblioteca pública era meu local favorito. A internet já existia, mas estava muito longe de ser acessível e o Google era um sonho distante – na verdade, tão distante que nem cogitávamos ter essa ideia. Olhando para essa realidade de outras épocas, penso no quão difícil foi e, ao mesmo tempo, eu me dou conta de que conseguíamos transpor tantos obstáculos talvez por não saber que tudo poderia ser bem mais simples. “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”, já dizia o cineasta francês Jean Cocteau.

 A competência de um jornalista passa, assim como hoje, pela qualidade e quantidade de “fontes” que ele tem. O que mudou foi o jeito de conversar com essas fontes: antigamente através de uma agenda telefônica em que se anotava à caneta a grafia do nome da pessoa (caso surgissem dúvidas na hora de escrever a matéria) e o telefone de contato. Hoje, contato compartilhado no WhatsApp, grafia conferida no perfil do Facebook, mensagens a qualquer hora e em qualquer lugar. Nada de ligar para um telefone fixo, em horário comercial, falar com uma secretária e aguardar o retorno. É tudo rápido, instantâneo – e, por vezes, estressante. Sim, vivemos em tempos cada vez mais velozes e isso traz um desafio: desligarmos, de tempos em tempos, desse mundo que não desliga nunca.

Antigamente, para se desconcentrar, bastava alguém falando mais alto na redação. Hoje, um local no mais absoluto silêncio pode tirar a concentração: basta o celular vibrar anunciando uma nova mensagem de WhatsApp. 

Essa “imersão” no passado me levou a outro questionamento: se tanta coisa mudou em oito anos, quando a tal foto da homenagem dos Bombeiros foi feita, como será daqui a outros oito? Não arriscaria palpitar nem se a aposta fosse para daqui a um ano, tamanha velocidade com que tudo muda. Isso é fato: a tecnologia facilitou em muitos aspectos, exceto no da imprevisibilidade – é tanta mudança de forma tão veloz que são poucos os que se arriscam a prever como será daqui em diante. 

Uma coisa, no entanto, é certa: cada vez mais nós temos que estar preparados para nos reinventarmos. O tempo todo.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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