Aprender pelo exemplo

Por: Greice Scotton Locatelli | 08/09/2019 06:00:11

Eu sou uma apaixonada por escrever desde que me conheço por gente. Talvez não tenha sido à toa que um dos meus primeiros presentes, ainda bebê, tenha sido uma minicoleção das Fábulas de Esopo que guardo até hoje com muito carinho – obrigada, Maria de Lourdes Bisol, pelo presente e por até hoje acompanhar e incentivar a minha carreira!

 


 

Minha mãe, Marli, foi a grande responsável por isso. Ela sempre me estimulou não apenas a ler muito, mas também a escrever e isso foi determinante na escolha da minha profissão. Aliás, começou muito antes, quando eu ainda nem era alfabetizada. Ela lia histórias para mim – e “ai” dela se mudasse uma palavra do texto. Não interessava se eu estava quase adormecendo, ela conta que eu acordava na hora e a corrigia – as fábulas que eu citei ela sabe de cor até hoje, de tantas vezes que leu para mim. 

Quando me perguntam de onde vem minha facilidade com o português, afirmo com convicção: da leitura. Sim, você pode não saber o que é advérbio, a diferença entre verbo transitivo e intransitivo ou quem é o sujeito e qual o predicado de uma frase. Mas se tiver a leitura como um hábito, certamente vai conseguir perceber quando algo estiver errado – inclusive aberrações ortográficas e gramaticais tão comuns nas redes sociais hoje em dia. 

Comigo, pelo menos, sempre foi assim. Quando criança eu “devorava” livros. Minha mãe tem até hoje uma ampla biblioteca em casa e eu sempre aprendi através do exemplo – coisa rara nos dias de hoje. Aliás, ela teve algumas ideias brilhantes: primeiro, criou um caderno no qual eram anotados os títulos dos livros que eu lia. A cada tantos livros, eu ganhava um presente fora das datas convencionais. Parece chantagem tipo aquela que muitos pais fazem de só liberar a sobremesa depois de a criança comer a carne, mas funcionou muito. No início eu lia só para atingir a meta, depois virou um hábito que tenho até hoje. 

Outra iniciativa foi a de escrever uma “redação” depois de cada passeio. Sabe aquela coisa de professora de séries iniciais que pede para os alunos descreverem como foram as férias? Assim! A cada ida ao zoológico, a cada viagem ou passeio em família, minha tarefa, na volta, era escrever um texto sobre o que eu tinha visto ou aprendido. Tenho várias guardadas até hoje na minha caixa de recordações. Aliás, nela também estão alguns dos meus livros favoritos da infância (esses da foto), que serão emprestados para a minha sobrinha, Maria Antônia, que nasce em outubro. Afinal, os bons hábitos devem ser passados adiante, ainda mais em épocas em que a leitura não é uma unanimidade frente a tantas opções tecnológicas.

Mesmo os grandes ensinamentos começam de uma maneira simples. E exemplo é fundamental. Eis uma das mais importantes lições da vida.
 


É proibida a reprodução, total ou parcial, do texto e de todo o conteúdo sem autorização expressa do Grupo SERRANOSSA.

Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



O SERRANOSSA não se responsabiliza pelas opiniões expressadas nos comentários publicados no portal.



Leia a Edição
IMPRESSA


Edição 723
16/08/2019 08:00:00
Edições Anteriores

Curta o SERRANOSSA