Tudo tem o outro lado

Por: Greice Scotton Locatelli | 24/10/2019 17:03:51

Estamos indo contra o final do ano e agora tudo fica mais à flor da pele. Culpa do cansaço acumulado, da rotina atarefada ou do estresse generalizado? Não importa. Cabe a cada um de nós encontrarmos um ponto de equilíbrio para não enlouquecer e, por consequência, para não atingir também que convive conosco.

Se tem algo que fica ainda pior nessa época do ano é o nosso triste hábito de julgar. Sim, todos nós, em algum momento, mesmo que só mentalmente, concordamos ou condenamos a atitude dos outros – e isso se torna lamentável a partir do momento em que expressamos publicamente, sem nos darmos conta de que estamos no mesmo barco, afinal, todos, sem exceção, somos seres imperfeitos.

Junte essa mania à instantaneidade típica das redes sociais e está formado o problema. Parece que ferramentas como o Facebook, especialmente, fazem com que o “filtro” que muita gente aprendeu a ter na vida real simplesmente pare de funcionar. Não sei se é apenas um ato impulsivo, se algumas pessoas não se dão conta de que o que elas publicam pode ser visto por outras pessoas ou se elas simplesmente sentem prazer em se expor, às vezes em situações deploráveis. O fato é que a expressão “falam porque têm boca” nunca pareceu tão apropriado.

(Parênteses para uma “nota mental”: talvez esse pensamento também tenha orientado o raciocínio de quem escreveu textos semelhantes a esse em outras épocas – sabe aquela crônica que você relê depois de muito tempo ou aquela letra de música composta em outra década, mas que segue fazendo sentido? Talvez esse “mais do mesmo” seja um lembrete de que seguimos necessitando aprender a viver em sociedade. Afinal, convenhamos, se um comportamento nocivo persiste por décadas, séculos, é um sinal claro de que estamos evoluindo de forma lenta demais.)

Julgar é algo inerente a todos os seres humanos. Mas, como tudo na vida, é preciso ter limite e respeito. Então, quando você vir aquela postagem “superpolêmica”, contando apenas um lado da história, desconfie. Quando uma situação lhe parecer óbvia ou absurda demais na versão que você ouviu, desconfie. Quando alguém lhe confidenciar um problema de família, enaltecendo demais apenas uma das partes, desconfie. As coisas podem não ser assim e sua postura diante disso pode estar ajudando a manter ativo esse ciclo cruel que cedo ou tarde cobra seu preço e se volta contra você. É um ensinamento que está no livro mais antigo do mundo, a Bíblia Sagrada: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês” (adaptado de Mateus 7:1-2)

Ah, quem dera fosse tão simples assim... A boa notícia é que é possível, com muita vigilância de sentimentos, pensamentos e atitudes. A má é que, justamente, somos seres imperfeitos e, como tal, precisamos lutar o tempo todo contra essa tendência.

Praticar empatia pode ser útil nessas horas. E, para isso, basta perguntar a si mesmo: o que eu faria se estivesse no lugar daquela pessoa? Tornar a empatia um hábito pode fazer com que, em pouco tempo, essa necessidade de julgar – e alardear a sua opinião – sobre como as outras pessoas agem seja algo desnecessário. E toda vez que excluímos situações desnecessárias da nossa bagagem emocional, nossa vida fica mais leve e simples.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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