Quais os seus direitos?

Por: Felipe Sandrin | 25/10/2019 06:00:32

Quando as pessoas falam em ter direitos, geralmente esquecem que esses direitos passam pela força de terceiros. Ok, você tem seus direitos, mas quem os garantirá? Quem lutará bravamente com todas as forças por você? E, por fim: você confiaria tanto assim em pessoas que nem conhece apenas por elas serem articuladas na hora de falar e lhe prometerem tais direitos?

Muitos hoje olham para pessoas mais velhas como se elas não soubessem das coisas – a prepotência sempre foi uma característica dos jovens, porém, nunca antes existiram tantos jovens no mundo. Homens de 40, 50 anos que não querem crescer. Mulheres chegando aos mesmos 40 anos sem conseguirem nem ao menos viver relações saudáveis com parceiros maduros emocionalmente. Na ânsia de permanecermos jovens, elevamos esse retardo mental que nos mantém impulsivos e contrários a lógicas básicas.

O mundo parece reivindicar direitos, mas desconhece compromissos. As mesmas pessoas que tanto cobram são as que menos fazem. E antes fossem apenas hipócritas: a hipocrisia pode passar pelo conhecimento abafado, mas não, de fato a maioria das pessoas que reivindicam são cegas para a própria debilidade mental e emocional.

Eu me lembro da minha adolescência: nós, jovens, vivíamos falando em manifestações, depredação, em colocar fogo em prefeituras. Éramos, entre nós, revolucionários, preceptores de um futuro melhor aos que iriam chegar. Éramos de fato tão ignorantes quanto a idade permitia ser. Mal sabíamos arrumar a cama, nem para fritar hambúrgueres serviríamos... mas na nossa cabeça éramos heróis ocultos de alguma causa maior.

Direitos: se você os quer, então lute por eles, mas não seja um imbecil achando que vozes histéricas revolucionam, não pense que direitos se trata de quem está no poder. O direito é, antes de tudo, um ato de amor próprio, de valores cercados por atos de responsabilidade. Quase sempre aqueles que realmente mudam o mundo nem sabem que o fazem, isso porque estão comprometidos demais com eles próprios, com os trabalhos que amam fazer, com o dinheiro que amam ganhar, com a família e amigos pelos quais dariam a vida para proteger.

Quantos empregos você gera? Quem em casa depende de você? Quantas pessoas encontram em seus ombros um lugar seguro, um alicerce de força e exemplo de superação? Você é o braço forte de alguém? Qual a sua força emocional e o seu nível de entrega ao sonho em que acredita e para o qual dedica noites não dormidas e olheiras que seguem aos finais de semana de igual entrega?

Ninguém garantirá os seus direitos e, se você acredita que a força de outros vai garantir isso, então você é definitivamente um covarde ou um estúpido. Porque se desconhecidos que clamam por poder são a sua esperança, de fato você apenas é debilitado demais para ver a própria mediocridade quanto a responsabilidades e capacidades as quais você mesmo deveria garantir.

Ninguém irá garantir seus direitos porque as pessoas mais comprometidas com algo nesse mundo estão ocupadas lutando por elas próprias e por quem elas amam. As pessoas mais fortes desse mundo só são fortes porque não precisam carregar aqueles que apenas exercitam a carência de clamarem por direitos sem nem conhecerem, antes de tudo, seus próprios deveres.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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