Pare de se torturar com o que outros têm

Por: Felipe Sandrin | 14/11/2019 06:00:22

Você só pode ser alto ou baixo se comparando com alguém. Então, se você estiver se sentindo pobre, feio e indesejado, basta apenas que você pare de se comparar com os outros. Comparação gera cobiça, que gera ganância e, por fim, gera todo esse amontoado de sofrimento que com certeza você já conhece. 

Não tenha por base a felicidade alheia, felicidade é critério independente e, assim como as pessoas admiram de forma diferente um por do sol, elas também são totalmente diferentes em relação ao que sentem.

Em um mundo em que somos levados a competir o tempo todo, nossos parâmetros passaram a não mais nos pertencer. Nessa constante de olhar o tempo todo para os outros nos esquecemos de olhar para nós mesmos. Você é saudável? E qual a última vez que agradeceu por isso? Seus pais ou as pessoas que você mais ama ainda estão em sua vida? Qual a última vez que você adormeceu alegre pensando que no dia seguinte poderia ver e abraçar essas pessoas?

Faça um exercício comigo agora. Pense em uma lembrança sua muito gostosa, algum momento de riso com seu pai ou sua mãe, lembre-se desse momento. Eu fiz isso hoje, me lembrei de uma tarde quente em que a minha mãe me acompanhava a pé até a escola. De repente, ela se distrai, tropeça e cai. Começamos a gargalhar, fizemos o resto do caminho rindo, minha barriga chegava a doer. Eu me lembrei disso e pensei: se tivesse perdido minha mãe nessa época, quantos momentos lindos teríamos deixado de viver? Faça esse exercício, lembre-se de um momento lindo do passado e imagine como se essa pessoa tivesse partido naquela época. Eu garanto que, se você entrar verdadeiramente nesse pensamento, irá agradecer por todos os momentos que ainda lhe foram permitidos ao lado dessas pessoas.

Nossas comparações são armadilhas, elas enfraquecem nosso olhar presente e nossa capacidade de ver as coisas maravilhosas que temos. Nossos bens mais valiosos são perdidos diante desse nosso famigerado olhar para outros. Idealizamos o que constatamos da vida de alguém e assim perdemos o leme da única coisa que verdadeiramente importa: a nossa própria vida.

Faça esse exercício, pare de se comparar. Pare de transformar seus dias em marcas de carro e valores de imóveis. Pare de contar quantos terrenos outros têm e para que lugar do mundo eles foram neste verão. Foque nas coisas que você tem e, se os pensamentos lhe conduzirem aos que têm mais, lembre-se: não vale a pena competir, pois você sempre irá perder.

Não poderemos fugir disso o tempo todo, o mundo que fizemos foi fundado sobre os pilares da comparação, mas isso não quer dizer que não possamos dar um descanso a nós mesmos e a essa mania chata que acaba nos colocando para baixo.

Já é tão difícil a vida, agradar outros e tentar agradar um pouquinho a nós mesmos. Às vezes tudo o que precisamos é esquecer as coisas lá fora e olhar para dentro, olhar simplesmente para o que nós fizemos. 

Seja egoísta, pense em você, valorize o que você tem e sempre que possível repita a si: eu não preciso me comparar com ninguém. Dê esse presente a si, more de vez em quando nas coisas que você lutou para ter e na pessoa que você está lutando para ser.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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