As lições (bacanas) que a vida nos dá

Por: Greice Scotton Locatelli | 22/11/2019 06:00:47

Eu tenho ficado meio chocada com a quantidade de pessoas que demonstram estar deprimidas de alguma forma. Não sei se o gatilho é simplesmente a proximidade do final do ano e aquela carga de decepções que se acumula, junto com o cansaço, a frustração e o estresse, ou se realmente tem muita gente cheia de problemas a ponto de não conseguir mais disfarçar. O fato é que as redes sociais podem estar incentivando esse comportamento, sem sombra de dúvida. 

Sabe aquela família de comercial de margarina? Aquele grupo de pessoas que parece já acordar de bem com a vida, sorridente? Rostos corados, cabelos devidamente arrumados, uma mesa farta? Pois é, caso você não tenha notado, isso não existe. Mas as redes sociais fazem parecer que sim. Dê uma olhada nos perfis dos seus amigos no Facebook. Provavelmente verá fotos deles sorrindo, em algum momento feliz – mas no fundo você sabe que alguns andaram passando por uns perrengues consideráveis, não é?  Todos nós!

Por fora, é relativamente fácil fingir estar bem, mesmo que o mundo esteja desmoronando por dentro. Ora, eu e você também fazemos isso, não é? E eu e você sabemos que isso é puramente estético. Então por que vamos nos deixar abater ao vermos outros aparentemente felizes se sabemos que aquilo não representa o todo? Se sabemos que aquelas pessoas têm problemas como todos nós, defeitos e pesadelos? 

Eu sei que ninguém – nem eu – quer admitir ou se expor quando está passando por um momento difícil. A maioria das pessoas quer se mostrar feliz perante o mundo, afinal, ser imperfeito é um defeito. Mas adivinhe: todos nós somos, sem exceção! Ninguém tem uma vida perfeita, ninguém tem um relacionamento perfeito, ninguém tem um trabalho perfeito, ninguém tem o corpo perfeito. Se deixar levar pela ilusão das redes sociais pode ser uma armadilha daquelas para quem já não está bem consigo mesmo. 

Quem sabe a gente comece a olhar Facebook e Instagram de outra maneira, tendo em mente que aquela felicidade demonstrada em fotos e vídeos, por mais que seja real, não conta a história toda. Quem sabe a gente se inspire em histórias da vida real. 

De tempos em tempos, o jornalismo proporciona verdadeiras lições de vida bacanas, um refresco para tantas notícias ruins que nossos dias trazem consigo: o adolescente deslocado que mergulhou fundo no mundo das drogas, mas se reencontrou na fé e hoje é um pai de família exemplar. A senhora humilde que durante anos não mediu esforços para cuidar do marido doente e, após a morte dele, encontrou um novo amor. A mãe de família que decidiu voltar a estudar depois do nascimento dos netos. As primas que encararam – e superaram – juntas o câncer de mama. A estudante que moveu montanhas para ficar ao lado do animal de estimação, mesmo morando do outro lado do mundo. 
São tantas, mas tantas histórias que nos emocionam e nos inspiram a viver um dia de cada vez que fica até difícil lembrar de todas – mas saiba que são reais, tendo sido, inclusive, contadas pelo SERRANOSSA. 

Ninguém sabe o que nos espera amanhã e, no fundo, a vida é isso: um emaranhado de dias, alguns bons outros ruins, alguns ótimos outros terríveis, em que tentamos sobreviver da melhor forma possível, lutando contra os nossos fantasmas, nossas experiências negativas do passado e nossas próprias dores. Mas no meio dessa confusão, como raios de luz, aparecem as coisas que nos motivam a acordar todas as manhãs. E é nessa delicada equação que tentamos equilibrar tudo, dando o nosso melhor.

O que eu aprendi – e aprendo, todos os dias – com essas lições? Que amanhã é um novo dia, que tudo na vida passa (inclusive os momentos bons), que a fé move montanhas, como dizem, e que nós somos seres imperfeitos. Basta nos darmos conta de que isso não é exclusividade nossa e muita coisa se ajeita.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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