O WhatsApp e a falta de bom senso

Por: Greice Scotton Locatelli | 29/11/2019 06:00:29

Dizem que bonzinho só se ferra, para amenizar o palavrão, mas há uma situação ainda pior: bonzinho no WhatsApp se ferra ainda mais.
Aplicativos de troca de mensagens são ótimos, muita gente (eu inclusive) não consegue mais imaginar como era a vida antes deles. Eles facilitam e agilizam a comunicação e trazem diversos benefícios práticos inimagináveis há alguns anos. Só que para tudo na vida é preciso um limite – e isso inclui, sem dúvida, o WhatsApp.

Se você usa aplicativos de troca de mensagens com certa frequência, aposto que já se pegou pensando ou falando sozinho coisas do tipo “isso é hora?” ou “de novo esse tipo de mensagem?”. Comigo acontece o tempo todo, admito. Se você utiliza a mesma conta para fins pessoais e profissionais, então talvez o seu problema seja ainda maior, afinal, tem muita gente sem noção por aí que não consegue entender que as pessoas não estão disponíveis 24 horas por dia.

Usuários sem o mínimo de bom senso tornam a utilização de tecnologias desse tipo uma faca de dois gumes. Você já ouviu uma história que viralizou, de uma fotógrafa que cancelou contrato com uma cliente que não admitiu a falta de resposta para uma mensagem enviada às 23h, em pleno domingo? Conheço vários relatos semelhantes, alguns que aconteceram em Bento mesmo, como o do chefe que advertiu a funcionária por não ter respondido uma mensagem enviada às 3h (da madrugada!).

O Whats é uma mão na roda, mas é necessário prudência para não pirar diante de tantas demandas e desse bombardeio contínuo de informações. E não há muito que fazer: cabe a cada um impor o próprio limite. Uma ideia seria desligar a conexão em uma determinada hora da noite, por exemplo, ou silenciar aqueles grupos em que as pessoas ficam mandando intermináveis mensagens de bom dia ou sobre assuntos que em nada agregam.

O objetivo é agilizar a comunicação, não escravizar as pessoas. Independentemente da profissão e do nível de dedicação, todos temos vida pessoal e precisamos continuar tendo o direito de escolher o que queremos fazer fora do nosso horário de trabalho. E, não, ninguém está disponível o tempo todo. 

Portanto, antes de contatar alguém pelo WhatsApp, pergunte a si mesmo: isso me incomodaria se eu estivesse no lugar dela? Se a resposta for “sim”, repense. Ter empatia pode evitar muita coisa. E lembre-se: assim como você, os outros também precisam (e merecem) ter um descanso para a mente. 

Na prática, algumas regras de “etiqueta”, podem ajudar:
- Assuntos profissionais devem ser tratados em horário comercial, afinal, as pessoas têm vida fora do trabalho.
- Quando contatar a pessoa pela primeira vez, o mínimo que você deve fazer é se apresentar e dizer de forma objetiva o motivo do contato.
- Não seja inconveniente exigindo uma resposta imediata só porque os dois risquinhos azuis mostram que a pessoa leu a mensagem enviada. Talvez ela não possa ou não queira responder naquele momento. Se for urgente, ligue.
- Áudios devem ser curtos e objetivos. 
- Cuidado para não desviar o foco do tema do grupo, caso esteja participando de um.
- Nem todo mundo gosta de receber fotos de acidentes ou pessoas mortas, de animais vítimas de maus-tratos, com conotação sexual, fofocas de famosos ou correntes de oração. Cuidado para não se tornar inconveniente.

Se cada um fizer a sua parte, todos podem aproveitar melhor os benefícios da tecnologia, sem que ela se torne algo ruim. Comecemos por nós mesmos.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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