O otimismo do brasileiro em luzes de Natal

Por: Felipe Sandrin | 19/12/2019 06:00:25

Nada de gráficos, números ou opiniões conceituadas dos ditos “diplomados”, eu analiso o otimismo da sociedade através das luzinhas de natal, sim, aquelas que colocamos em sacadas de prédios, árvores no quintal e que as prefeituras distribuem pela cidade na esperança que não sejam vandalizadas e roubadas: óbvio que estou exagerando nessa afirmação, mas se tiver de comparar a opinião dos  “especialistas” com as luzinhas de Natal, nesse caso as pequenas brilhantes ganham de lavada.

Lembro-me de uns sete anos atrás escrever uma coluna para esse mesmo jornal, o título era algo tipo “Onde estão as luzes de Natal?”, era um texto falando sobre a desesperança que estava a bater nossa porta, por coincidência –  ou não – de fato o Brasil viveu um período de destruição econômica e moral. Bem, coincidência – ou não – tomara novamente que esse acaso nos influencie, visto que há anos não era possível vermos tantas luzes de Natal espalhadas por tantas cidades. Talvez aqui alguns busquem a correlação mais dinheiro = mais enfeites, mas o valor desses enfeites é irrisório e não pode ser calculado em moeda física, pois a moeda que ascende essas luzes é sentimental.

Há, sim, uma onda positiva no ar, amigos próximos e dedicados a gerarem empregos voltaram a contratar e acreditar que ainda vale a pena empreender. Recentemente um dos caras mais dedicados que conheço no ramo de criação voltou dos Estados Unidos exclusivamente movido pela certeza de que as coisas vão melhorar. Podemos atribuir isso ao novo governo? Com certeza. Independente dos nomes o “novo” que antecede algo sempre traz um reflexo positivo: mesmo quando o novo na verdade pode ser um velho disfarçado pronto para nos lançar novamente ao abismo.

Bom, por fim todos nós sabemos: o Brasil não é para os fracos. Oremos para ao final de 2020 novamente nos depararmos com as luzinhas de Natal e o Brilho silenciosamente esperançoso que elas nos lançam. Ondas positivas são poderosas como florestas que crescem e, mesmo que uma árvore caindo faça muito mais barulho, ainda assim é necessário esse crescimento silencioso de nossas perspectivas.

Que essas pequenas luzes não se apaguem e que os vizinhos invejosos ano que vem também possam ao menos colorir uma arvorezinha do quintal ou o pequeno pinheirinho de plástico na varanda. Que as prefeituras iluminem cada vez mais bairros e que os pais voltem a habitar a cidade com seus filhos e olhos atentos para os novos enfeites.

Faz falta isso: sair por aí simplesmente para feito bobo cruzar os corredores de uma cidade coloridamente iluminada. Ver crianças nas praças pulando cercas para se pendurar em Papais Noéis de pano e árvores feitas com garrafas recicladas. Faz falta aquele simples colorido de otimismo.

Em tempos duros esquecemos de ser crianças, mas talvez por isso os tempos estejam tão duros: porque deixamos de ter um breve momento de otimismo... igual às crianças diante do Natal.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]




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