Desconfie sempre!

Por: Greice Scotton Locatelli | 21/02/2020 06:00:17

O portal G1 mantém uma seção bem bacana que mostra a dimensão das notícias e informações falsas na internet. O “Fato ou Fake” é um serviço que checa conteúdos suspeitos e esclarece o que é real e o que é falso. 

Toda vez que eu confiro essa seção eu me surpreendo: seja pela criatividade das pessoas que inventam e disseminam mentiras de todo tipo, seja pelo trabalho de investigação – não imagino como os jornalistas que estão por trás desse serviço conseguem descobrir algumas coisas. Por exemplo: um vídeo mostra a queda de um helicóptero e é divulgado como sendo do acidente que causou a morte do jogador de basquete Kobe Bryant. Fake! A imagem em questão é de um acidente ocorrido em 2018 nos Emirados Árabes Unidos. Em outra postagem recente, a equipe esclarece que fotos de um ataque a tubarão supostamente ocorrido em São Paulo são, na verdade, imagens de um ataque ocorrido em 2010, nas Bahamas.

Informações assim são tão falsas quanto o vídeo que mostra uma esfera azul brilhante que se movimenta sobre os trilhos de uma linha de trem e em seguida explode. Seria, segundo as postagens nas redes sociais, um “relâmpago globular” que teria sido registrado em Lanzhou, na China. Só que o vídeo é, na verdade, uma animação feita em computador por um russo quando ele começou a aprender computação gráfica.

Recentemente, a equipe fez uma retrospectiva das principais análises do ano passado e uma constatação é indiscutível: a maioria esmagadora das informações foi falsa. Algumas beiram o absurdo, como a de que um restaurante especializado em vender carne humana teria sido aberto no Japão. As fotos são do trabalho de um artista plástico e de um evento publicitário para lançamento de um jogo de videogame, mas tão logo alguém viu partes de um corpo penduradas em um açougue deduziu que era um restaurante, inventou uma cidade, colocou um emoji de espanto e, alguns cliques depois, pronto: está criada uma fake news.

Intervenções artísticas, aliás, são um prato cheio para o imaginário popular. Um dos vídeos que viralizou sugere que árvore teve crescimento repentino dentro de um carro estacionado, chegando a atravessar o teto. Trata-se, na verdade, de uma instalação artística realizada por uma companhia teatral, na França. Em outro, a imagem de uma Bíblia que teria sido encontrada intacta no fundo do mar é uma experiência de cristalização feita por uma artista plástica. Há ainda um que deixou muitas autoridades preocupadas: o de um político que teria sido jogado no esgoto por não cumprir promessas de campanha – mais uma encenação teatral, na verdade.

A tragédia de Brumadinho, por exemplo, foi inspiração para dezenas de boatos de todos os tipos, assim como o Massacre de Suzano, a crise na Venezuela e as queimadas na Amazônia. E volto a questionar: o que alguém ganha com isso? Deve ser, no mínimo, tempo ocioso em demasia, uma forma mais elaborada de dizer que alguém não tem nada para fazer.

A popularização de aplicativos de troca de mensagens, como o WhatsApp, trouxe uma série de comodidades. Mas, quando se trata de informações de internet, desconfiar sempre é uma forma eficaz de evitar a disseminação de notícias falsas.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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